• hikafigueiredo

"Enraivecida na Fúria do Sexo", de David Cronenberg, 1977

Filme do dia (57/2019) - "Enraivecida na Fúria do Sexo", de David Cronenberg, 1977 - Após sofrer um grave acidente de motocicleta, Rose (Marilyn Chambers) é submetida a uma cirurgia experimental, após o que desenvolve uma estranha condição - a de extrair sangue de suas vítimas através de "espinhos" que se desenvolveram a partir dos enxertos de pele colocados em seu corpo. As vítimas, por sua vez, em curto espaço de tempo, transformam-se em raivosos seres que atacam pessoas e, assim, transmitem sua condição adiante.





Não!!! Mesmo com esse título absurdo, eu JURO que não se trata de um filme "adulto"!!!! Rsrsrsrs O esdrúxulo título em português (que, na tradução do original deveria ser "Raivoso") se deu tão somente para chamar a atenção para Marilyn Chambers, uma conhecida atriz da indústria de filmes pornôs. Com esse título e essa atriz, acredito que os distribuidores tentaram atrair o público de filmes adultos, num claro lance de "estelionato cinematográfico", uma vez que se trata de uma obra do gênero terror. Esclarecendo o fato e nos atendo ao filme, a obra se aproxima das histórias de zumbi, apesar de não retratar exatamente mortos-vivos - as vítimas de Rose transformam-se em seres raivosos e agressivos, atacam pessoas e mordem-nas, mas em momento algum estão em um estado entre a vida e a morte e são mais facilmente eliminados que seus "primos" zumbis. Como era de se esperar, considerando o diretor Cronenberg, a obra é cheia de esquisitices, mesmo para um filme de "pseudo-zumbis" - a história de Rose desenvolver "apêndices" que sugam sangue é uma das mais bizarras criações do cinema que eu me lembro de ter visto! Rs. Mas, mesmo com esquisitices, o filme é bem razoável e cria uma interessante atmosfera que transita entre a tensão e a angústia - a situação de Rose faz com que ela se torne essencialmente solitária e a trilha sonora "tristonha" realça bastante essa solidão da personagem. Por outro lado, não há, aqui, as grandes críticas sociais, das quais gosto tanto, dos demais filmes acerca do tema "zumbis" - o que retira qualquer profundidade da obra. Ponto negativo, também, para a fotografia granulosa e "lavada", comum em filmes setentistas e que raramente me agrada (para me agradar, precisa ter um motivo para essa opção estética, e aqui não me pareceu haver esse motivo). Quanto às interpretações, ninguém destacou-se positivamente. Não entendi a opção pela atriz pornô Marilyn Chambers - a minha impressão é que nem ela sabia o que estava fazendo ali... O maior mérito, mesmo, do filme é a leitura sensorial que é possível fazer dele, e que, no meu caso, fez com que eu "sentisse" o peso e a angústia da personagem Rose vivenciar aquela condição e ser responsável por tantas mortes posteriores. Well... há filmes melhores sobre zumbis, mas esse não é desprezível. Quem gosta da temática deve curtir.

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