• hikafigueiredo

"Era Uma Vez Eu, Verônica", de Marcelo Gomes, 2012

Filme do dia (58/2021) - "Era Uma Vez Eu, Verônica", de Marcelo Gomes, 2012 - Verônica (Hermila Guedes) é uma residente de medicina que começa a se questionar acerca de suas escolhas na vida, desde sua profissão até seus laços de afeto.





Um filme sutil e intimista, é a melhor definição para esta obra. O filme retrata um momento de crise existencial da personagem, quando ela passa a se questionar acerca de suas escolhas, tanto no âmbito profissional, quanto no amoroso. Esta é daquelas obras para ser sentida, vivenciada - sem essa experiência sensorial, o filme acaba esvaziado e sem sentido, pois, na realidade, poucas são as coisas que efetivamente acontecem na história. É, assim, uma narrativa pautada no estado emocional da personagem Verônica, nos seus diálogos consigo mesma, nos seus silêncios e nas suas expressões. Além de ter pouquíssima ação, o filme também não possui um clímax - ele corre contínuo e vagaroso, sem grandes alterações. Uma obra assim, tão delicada, só foi possível pelo trabalho excepcional de Hermila Guedes, uma atriz fantástica, que consegue encher de significado cada movimento da personagem, de forma que o espectador entra em contato com a angústia e o vazio da protagonista logo nos primeiros minutos da narrativa. Contracenando com Hermila, um elenco fenomenal: Waldemar José Solha como o pai de Verônica, João Miguel como o namorado Gustavo - as cenas de sexo do casal são irretocáveis - e Maeve Jinkings como uma paciente com depressão. Destaque para a trilha sonora sensível e saborosa. Eis um filme suave mas muito agradável de "embarcar", mas há que se gostar do estilo intimista e extremamente lento, um filme de detalhes, de nuances. Eu curti. Recomendado para quem gosta de introspecção.

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