• hikafigueiredo

"Era Uma Vez um Gênio", de George Miller, 2022

Filme do dia (108/2022) - "Era Uma Vez um Gênio", de George Miller, 2022 - Alithea (Tilda Swinton) é uma professora universitária que estuda as narrativas ao longo da história. Em uma viagem ao Oriente, ela compra uma antiga lâmpada e, ao tentar limpá-la, acaba libertando um gênio (Idris Elba). Agora, Alithea terá três desejos para serem satisfeitos. O que será que ela desejará?





Em um formato de fábula -o que é destacado desde a primeira cena pela própria Alithea - o foco principal da obra é a narrativa em si, ou seja, o ato de "contar uma história". Por mais que, mais adiante, outros elementos sejam agregados (sem spoilers), o filme se concentra nas diversas pequenas histórias narradas tanto pelo gênio, quanto por Alithea, e, de uma maneira bem diferente e criativa, declara seu amor pela narrativa, pela ação de transmitir oralmente uma ideia, de forma a agregar informações e, principalmente, despertar emoções no interlocutor. A própria profissão da protagonista - professora de narratologia - já é um indicativo do que será o ponto central da obra. E será esse interesse pela narrativa que ligará ambos os personagens: Alithea, uma estudiosa do tema, e o gênio, alguém capaz de "transportar" seus ouvintes para dentro de suas histórias, como Sherazade de "As Mil e Uma Noites", de modo que acontecerá um verdadeiro "encontro de almas" entre os dois personagens. Interessante perceber que o diretor faz uso das características intrínsecas do cinema - o uso da imagem e do som para criar uma narrativa - para ilustrar o que o gênio diz oralmente, como um espelho daquilo que despertaria nas mentes dos ouvintes em uma roda de histórias. Um dos méritos da obra, por sinal, é a excelência visual que atinge - para cada história contada pelo gênio, cria-se um universo visual mais imponente e impactante que o anterior. Também é curiosa a alternância entre o amplo mundo das histórias do gênio e o limitado espaço onde os personagens passam a maior parte de seu tempo - um simples quarto de hotel. O ritmo do filme é constante e confesso que isso foi uma das coisas que eu não gostei na obra, pois, à certa altura, o tom monocórdico começou a me dar um sono brabo. A atmosfera do filme é eminentemente onírica, capaz de transportar o espectador para outros mundos, mundos fantásticos e imaginosos. Lógico que a fotografia da obra, junto com a direção de arte, são os pontos mais fortes do filme - tudo é muito lindo, muito grandioso. Os tons quentes, amarelados, da fotografia são aconchegantes, enquanto os criativos posicionamentos de câmera, instigantes. E temos o elenco - e que elenco!!! No papel de Alithea a fantástica e camaleônica Tilda Swinton, uma atriz que já foi anjo, já foi vampiro, já foi bruxa, e que, aqui, dá vida a uma prosaica e regrada professora, cuja solidão encontrará eco na solidão do gênio. Claro que Tilda Swinton dá mais que conta do recado, estando ótima como sempre. Como gênio, temos o igualmente incrível (e lindo) Idris Elba, numa interpretação muito boa e adequada. Os demais personagens são passageiros e ficam pouco tempo em cena, mas não posso deixar de destacar a beleza estonteante de Aamito Lagum como rainha de Sabá. Olha... precisei de dois dias para digerir adequadamente o filme, porque, logo depois de sair do cinema, achei a obra bem "marromenos". Depois de pensar mais no filme, acabei gostando mais dele, em especial das questões relacionadas às narrativas e seu poder de despertar emoções no interlocutor - o que fez com que algumas coisas ganhassem mais sentido ao longo do filme. Enfim... não vou dizer que ameeeeeei, mas tem alguns excelentes méritos. E tem a Tilda e o Idris... rs

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