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"Esse Mundo é dos Loucos", de Philippe de Broca, 1966

Filme do dia (357/2021) - "Esse Mundo é dos Loucos", de Philippe de Broca, 1966 - França, 1918. Uma pequena cidade ao norte do país encontra-se sob ocupação alemã. Tentando evitar a retomada da cidade pelo exército inglês, o comandante alemão arma uma bomba-relógio que levará tudo pelos ares à meia-noite daquele dia. Os moradores, alertados, fogem e a cidade, vazia, acaba sendo ocupada pelos internos do manicômio local. Um soldado do exército inglês é destacado para descobrir o local em que está bomba está e desativá-la, mas, ao chegar ao lugar, é recebido pelos internos que, alheios à realidade, envolvem-no em sua loucura.





Do mesmo diretor do impagável "O Magnífico" (1973), o filme é uma comédia non-sense carregada de crítica à sociedade, com especial atenção aos absurdos da guerra. Através de uma narrativa burlesca, carregada de exageros, o diretor questiona a razão daqueles que veem sentido na guerra, contrapondo-os à leveza e alegria dos loucos do sanatório municipal, cujo único objetivo é viver em paz e harmonia. Apesar da crítica séria, a obra é leve, com esquetes ingênuos, até mesmo bobinhos, e traz personagens propositalmente caricatos, tanto dentre os loucos, quanto dentre os considerados sãos: enquanto os primeiros fazem suas "loucuras" inocentes, que não trazem prejuízo a ninguém, os últimos, com destaque para os comandantes e oficiais, agem com a arrogância daqueles que se julgam superiores, causando mortes e destruição. O filme é bem debochado, ridiculariza tanto os alemães quanto os ingleses (ah, vá!) - na realidade, bretões, pois o exército que cerca a cidade é formado por escoceses, que lutam de kilt -, perdoando apenas o protagonista, o soldado Plumpick, o único que percebe a ironia da coisa ao manter contato com a alegria de viver dos internos. A narrativa é linear, em um ritmo ágil e constante. O roteiro é jocoso, traz muita piada sem graça ou sentido, mas é possível pinçar várias frases bem pontuais e críticas, quase sempre proferidas pelos loucos. Tecnicamente, o filme não traz grandes novidades ou ousadias, mas brinca bastante com a direção de arte que "corre" livre na caracterização dos personagens insanos - dentre os internos temos aqueles que se acreditam nobres, poderosos ou pessoas comuns, e, assim que tomam a cidade, tratam de se vestir a caráter dentro daquele personagem que assumem. O elenco é enorme, mas é encabeçado por Alan Bates no papel do soldado Plumpick, o único lúcido na história, numa interpretação simpática, mas carregada, como todas as interpretações do filme, claramente uma opção do diretor; Geneviève Bujold interpreta Coquelicot, uma das internas, que se passa por prostituta, mas é inocente e virgem. O elenco traz nomes conhecidos como Michel Serraut, Jean-Claude Brialy e Pierre Brasseur, todos como "figuras importantes" dentro da sociedade criada pelos internos. Não vou dizer que o filme é um grande achado, uma obra imperdível, ou qualquer coisa do gênero porque estaria mentindo, mas ele é simpático, daqueles para ver descompromissadamente, e fala mal de guerra, o que, para mim, é sempre uma virtude. Também não vou recomendar, fica por conta da curiosidade de cada um.

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