• hikafigueiredo

"Filho de Saul", de Lászlo Nemes, 2015

Filme do dia (28/201) - "Filho de Saul", de Lászlo Nemes, 2015 - Saul (Geza Rohrig) é um prisioneiro judeu de um campo de concentração. Ele trabalha no Sonderkommando, o grupo de prisioneiros que auxilia os nazistas nas tarefas correlatas ao extermínio de seus pares. Um dia, em meio aos corpos recolhidos da câmera de gás, Saul encontra um menino sobrevivente. Um oficial nazista, no entanto, sufoca o rapaz com as mãos. Saul, então, alegando que aquele é seu filho, começa uma epopeia para enterrar dignamente o jovem.





Filme com estética original, a obra permanece quase constantemente no personagem Saul, sempre em planos fechados em seu rosto (que não expressa qualquer emoção, condição absolutamente necessária para suportar as atrocidades vivenciadas todos os dias) ou acompanhando seu trajeto, em planos fechados na sua nuca (!!!!). Então... esses planos fechados na parte de trás da cabeça de Saul, correndo para cá e para lá, me encheram um pouco o saco. A ação verdadeira ocorre no entorno do personagem que se encontra alheio e destacado de tudo o que acontece ao seu redor. Em imagens desfocadas, observamos tudo o que ocorre no campo, passando de um a outro setor através da movimentação do personagem (quase um tour pelo campo). A evidente intenção do diretor foi transmitir a sensação de claustrofobia e confinamento daqueles prisioneiros. Infelizmente, eu estava num mau dia e não entrei na vibe do filme... :( Minha companheira de sessão disse que teve a sensação de estar no inferno, com forte angústia relacionada àquela situação. Eu fiquei frustrada de não ter sido arrebatada por essa experiência sensorial e ter ficado o tempo todo como mera observadora. Preciso rever o filme para ver se embarco na onda. O filme é composto de vários planos sequência (sempre acompanhando Saul), tem ritmo frenético e o som é usado de maneira especialmente impactante e incômoda (o tempo todo tem sons de gritos dos oficiais nazistas em alemão, gritos dos prisioneiros, choros de adultos e bebês, o som de trens, etc). A fotografia é escura e tem, constantemente, o tom de cinza (não existe qualquer cor no filme). O ator Geza Rohrig está muito bem como Saul, transmitindo em sua face propositalmente inexpressiva todo o vazio existencial do personagem, toda a dor e descrença no ser humano. Em teoria, o filme é excelente - digo em teoria porque EU não consegui embarcar na vibe, mas foi um problema MEU, e é um filme que exige que o espectador vivencie a experiência. Quando assistir de novo, eu digo se consegui entrar energia na do filme. Ainda assim, recomendo.

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