• hikafigueiredo

"Fim de Festa", de Hilton Lacerda, 2019

Filme do dia (358/2020) - "Fim de Festa", de Hilton Lacerda, 2019 - Durante o carnaval de Recife, uma turista francesa é brutalmente assassinada. O policial Breno (Irandhir Santos) é obrigado a interromper suas férias em plena quarta-feira de cinzas para investigar o caso e, quando chega em sua residência, encontra seu filho Breninho (Gustavo Patriota) e sua amiga de infância Penha (Amanda Beça), mais dois amigos recentes, Ângelo (Leandro Villa) e Indira (Safira Moreira) instalados no imóvel, onde permanecerão até o domingo.





A obra, originária do núcleo de cinema pernambucano - na minha opinião, o que temos de melhor no cinema nacional -, traz boas surpresas, mas peca um pouco na condução da narrativa. A história se desenvolve em dois arcos distintos que possuem intersecções, mas seguem independentes - o arco do policial Breno e o arco dos quatro jovens. Enquanto o primeiro envolve a investigação acerca do assassinato da turista francesa e uma sutil tortura interior do personagem Breno devido a um arrependimento do passado, o segundo retrata a relação íntima, livre e libertária dos quatro jovens, o que inclui alguns diálogos entre Breninho e Penha que remetem a uma culpa de Breno. Ocorre que, ao menos para mim, não ficou, em momento algum, muito claro qual conduta de Breno que gerou culpa e arrependimento - e isso me deixou bastante incomodada ao fim da obra, como se faltasse algo. A narrativa trata, em linhas gerais, de términos, de fins de ciclos, de momentos de ruptura que levam ao novo - mas assumo que essa foi uma leitura meio que arrancada no muque, porque tudo é tratado de maneira sutil e um pouco nebulosa, esse é daquele tipo de filme que a gente tem de se esforçar para alcançar seus significados um tanto quanto diáfanos. Ainda assim, foi um filme que me prendeu do começo ao fim - muito por conta da presença do magnífico Irandhir Santos, um ator que transforma em arte e emoção qualquer coisa em que toque. Mas o elenco não se resume a Irandhir não - todos estão muito bem em seus papéis, com destaque para Gustavo Patriota e Amanda Beça, ambos muito bem, e Ariclenes Barroso como o marido da francesa assassinada. Hermila Guedes, atriz incrível e com muita força dramática, faz uma pequena ponta, insignificante frente ao seu talento. O filme é bacana, mas senti que faltou um algo, uma sensação de não ter atingido a alma da obra... Ainda assim, acho que é um filme válido, motivo pelo qual recomendo com uma pequena ressalva.

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