• hikafigueiredo

"Inferno", de Nobuo Nakagawa, 1960

Filme do dia (131/2018) - "Inferno", de Nobuo Nakagawa, 1960 - Tamura (Yoichi Numata) e Shiro (Shigeru Amachi) atropelam e matam um homem após saírem da comemoração de noivado entre Shiro e Yukiko (Utako Mitsuya). O acidente acarretará uma série de consequências fatais, que serão cobradas posteriormente no inferno.





Eu entendo que filmes de terror tenham uma lógica própria e que os fãs do gênero curtam, mais que os fãs de outros tipos de filme, roteiros com "furos" consideráveis e com o pé no "trash", mas tem obra que não dá para salvar nem lágrimas de sangue. A ideia contida em "Inferno" é ótima - no "pos-mortem", várias pessoas envolvidas em mortes violentas, adultério, contravenções e quetais se reencontram na porta do inferno, onde receberão seu castigo eterno. O problema é que do argumento para o filme há um salto assustador e o resultado é, para mim, menos que sofrível. Começa que eu achei patética a forma como o povo todo se encontra no além - estavam todas vivas e, uma após as outras, as pessoas morrem das formas mais esdrúxulas e ridículas para, então, chegarem na porta do inferno. Veja bem, não estou falando de dois ou três personagens, eu tô falando TODOS os personagens, coisa de 15 criaturas, que morrem de jeitos cretinos e repentinos. Depois, no inferno, o filme cria uma atmosfera de abominação que, mais uma vez, é completamente sub aproveitada, e o roteiro, que já vinha capengando, afunda de vez - perde-se totalmente o desenvolvimento da história, fica tudo "quebrado", cenas aleatórias seguem-se umas às outras e o roteirista cria soluções dignas de último dia de novela mexicana (até irmã e filha desconhecidas aparecem, é muito tosco!). E o show de horror (no mau sentido) continua: fotografia porca, efeitos especiais de quinta, cenas inúteis e deslocadas e interpretações de dar dó. O que salva??? O argumento é bárbaro, mas morre aí. A atmosfera do inferno, que poderia ser muito melhor usada, é assustadora e algumas imagens são arrepiantes, mas se perdem na bobageira toda. Shigeru Amachi (Shiro) não é um mau ator e as feições de Yoichi Numata (Tamura) remetem a um demônio (só que eu achei a interpretação dele pééééssima!!). Acabou, isso é só o que salva. Eu confesso que eu achei a obra uma porcaria e não restou nem vontade de tentar rever para ter certeza que não foi apenas um mau dia. Corram sem olhar para trás.

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