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  • hikafigueiredo

"Inquisição", de Jacinto Molina/Paul Naschy, 1978

Filme do dia (121/2020) - "Inquisição", de Jacinto Molina/Paul Naschy, 1978 - França, século XVI. O inquisidor Bernardo de Fossey (Paul Naschy) chega a uma pequena aldeia a fim de varrer as bruxas do local. Ele logo se interessa pela filha do governante local, Catherine (Daniela Giordano). O que ele não sabe é que Catherine esconde um segredo.






Esta é uma obra bem interessante. Do box "Caça às Bruxas" da Versátil, é a única em que aparecem elementos mágicos na história. Ou não. Isso porque os elementos sobrenaturais que aparecem na narrativa podem ter acontecido - caso o filme assumisse a existência de um universo sobrenatural onde bruxas e demônios convivessem - ou não - caso onde tudo o que tivesse sido vivenciado por Catherine não passasse da imaginação dela, tomada por alucinações decorrentes do próprio fanatismo da época, que fazia com que tudo fosse considerado obra do demônio. Qual a alternativa "correta", não fica claro, ainda que existam vários elementos que reforcem a tese da alucinação. Outro ponto crucial que diferencia este filme dos outros do box vistos é que, aqui, o desfecho surpreende - não vou falar mais porque seria spoiler e eu não gosto de estragar a surpresa do amiguinho. Temos, como nos demais, algumas cenas de tortura e pelo menos uma delas é bem aflitiva (e, surpreendentemente, muito bem feita). Apesar de ter cenas fantásticas, com bruxas, demônios e cia. limitada, o filme não consegue criar aquele climão de terror e angústia como, por exemplo, os recentes "Maria e João: o Conto das Bruxas" (2019) e "Hereditário" (2018) - não, aqui eu não consegui me envolver emocionalmente com a história, eu não "senti" o peso do filme. Apesar de, no geral, ser bem feito, o filme não me agradou muito na sua estética - a direção de arte muito "limpinha" e a fotografia muito clara e com tons saturados deram um tom meio "carnavalesco" para o obra, o que definitivamente ajudou a NÃO dar a atmosfera sombria já mencionada. Quanto às interpretações, gostei de Daniela Giordano como Catherine - não que seja aquela suuuuuper atuação, mas ela tem um olhar meio de "Capitu", "olhos de ressaca", que enriquecem a personagem. Já Paul Naschy... ele poderia ter ficado só na direção, eu o achei bem canastrão. O filme é bacana justamente por não deixar totalmente claro o que seriam as cenas "mágicas" e por ter personagens que, em tese, acreditariam ser bruxas (em todos os outros filmes, as pessoas não tinham qualquer ligação com essa mística da bruxaria, apenas tinham sido envolvidas por denúncias maldosas de terceiros). Por ser tão diferente das demais obras com essa temática, eu recomendo.

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