• hikafigueiredo

"Meu Nome é Sara", de David Himmelstein, 2019

Filme do dia (228/2020) - "Meu Nome é Sara", de David Himmelstein, 2019 - 1942, Polônia, fronteira com a Ucrânia. A jovem judia Sara (Zuzanna Surowy) foge da Polônia em direção à Ucrânia para fugir da perseguição alemã. Fazendo-se passar por uma amiga católica, Sara é acolhida por um casal em sua fazenda, onde ela passa a trabalhar como babá, sempre temendo ser descoberta.





Baseado em fatos reais, o filme é mais um que trata da história de pessoas que sobreviveram ao Holocausto. Como tantas outras obras, o filme discorre acerca dos subterfúgios utilizados pela sobrevivente para manter sua identidade falsa insuspeita e segura, o que, para a personagem Sara, significou conhecer, intimamente, os rituais católicos, assim como as orações e costumes desta religião. Também como é comum neste tipo de obra, a narrativa carrega consigo uma tensão intrínseca, pois o espectador teme, constantemente, que a personagem seja, subitamente, desmascarada. Pela sua própria natureza, a obra discorre sobre coragem, determinação e superação, ao mesmo tempo em que retrata quão vítima a população civil dos países invadidos pelos alemães foi, independente de sua origem ou religião, posto serem constantemente saqueados, ameaçados , agredidos e, por vezes, friamente assassinados, tanto pelos alemães invasores, quanto pelos partisans, grupos da resistência à ocupação alemã. A narrativa é linear, com uma única inserção em tempo passado. O ritmo é lento, com momentos mais ágeis, mas a atmosfera é, constantemente, tensa. A direção de arte de época é correta, assim como as fotografia e montagem. Gostei da interpretação de Zuzanna Surowy, ela tem uma expressão de apreensão natural dela, que fez a personagem mais convivente. No elenco, Michalina Olszanska interpreta a "patroa" Nadya e Eryk Lubos, o "patrão", ambos bem pouco amistosos com a pobre Sara. Eu diria que o filme é bem feito, mas bastante convencional, sem sair muito do lugar comum de inúmeros filmes do gênero. O espectador verá a obra, gostará dela, mas, muito provavelmente, não lembrará do filme em bem pouco tempo. Eu até recomendo, mas sem grande ânimo.

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