• hikafigueiredo

"O Amor nos Tempos do Cólera", de Mike Newell, 2007

Filme do dia (117/2021) - "O Amor nos Tempos do Cólera", de Mike Newell, 2007 - Meados do século XIX, Cartagena, Colômbia. O jovem Florentino Ariza (Unax Ugalde) apaixona-se à primeira vista por Fermina (Giovanna Mezzogiorno). O pai de Fermina, no entanto, afasta os enamorados e, após um tempo, a própria moça opta por casar-se com o Dr. Juvenal Urbino (Benjamin Bratt). Florentino (Javier Bardem), arrasado, jura amor eterno por Fermina, aguardando uma vida por sua liberdade.





Baseado no livro homônimo de Gabriel García Marquéz - "só" um dos maiores romances de um dos maiores escritores de toda a história da literatura - o filme, embora tenha virtudes, não está à altura da obra literária. O filme - que, se seguisse a qualidade do romance, seria extraordinário - mostra-se protocolar e por demais "padrãozinho Hollywood", faltando aquele "it", aquele diferencial que caracterizam as grandes obras. Isto ocorre, possivelmente, pela internacionalidade do diretor, da equipe técnica e de boa parte do elenco que, talvez, não tenha conseguido captar a "alma" - colombiana - do romance. A escolha da língua falada no filme - inglês - também me soa deslocada, não se encaixa na obra - seria o mesmo que filmar "Memórias Póstumas de Brás Cubas" em inglês e esperar que o filme refletisse o espírito de Machado de Assis. Não me entendam mal - o filme nem de longe é ruim, até porque o roteiro é fiel ao livro; a questão é que falta a sensibilidade do livro, falta... sua alma. A história discorre sobre o amor e a passagem do tempo; sobre a essência deste sentimento amoroso e sobre os efeitos do tempo sobre esse sentimento. Florentino jura amor eterno à Fermina, mesmo tendo sido, em dado momento, rejeitado por ela. Ele leva esse sentimento puro, verdadeiro e quase imaculado pela sua vida afora. Não que Florentino não tenha conhecido outros afetos - o que não lhe faltaram foram enamoradas e amantes - mas a essência do amor permaneceu unicamente para Fermina. Quando, na velhice, Fermina fica viúva, Florentino vê sua chance de reconquistar seu amor. A narrativa é não linear: começa na velhice dos personagens, retorna para sua mocidade e passa a acompanhar suas vidas até retornar ao ponto de partida. O ritmo é moderado e constante. Para mim, a atmosfera foi de angústia e ansiedade - os cinquenta anos que Florentino viveu à espera de sua amada. Tecnicamente, o filme é impecável, desde a fotografia em tons quentes, até a direção de arte de época exemplar. Na trilha sonora, duas canções da colombiana Shakira, que saiu de sua zona de conforto - o pop - para criar um tom mais sensível para as músicas. O elenco não poderia ser mais eclético e internacional - temos Javier Bardem, espanhol; Giovanna Mezzogiorno, italiana; Benjamin Bratt e Liev Schreiber, norte-americanos; Fernanda Montenegro, brasileira; John Leguizamo e Catalina Sandino Moreno, colombianos (finalmente!). E, aqui, torno a bater na mesma tecla - ainda que ninguém tenha feito feio, senti que faltou maior intimidade com o espírito da obra. A história é lindíssima, sensível e comovente e é impossível ficar indiferente a ela - mesmo com o porém que eu apontei. Podia ser melhor... mas, como está, já vale a pena assistir.

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