• hikafigueiredo

"O Estigma de Satã", de Piers Haggard, 1971

Filme do dia (161/2020) - "O Estigma de Satã", de Piers Haggard, 1971 - Inglaterra, século XVIII. O camponês Ralph (Barry Andrews) encontra o que acredita serem os restos mortais de uma criatura bestial, motivo pelo qual chama o juiz local (Patrick Wymark) para ver. No entanto, os restos da criatura desaparecem e Ralph cai em descrédito. Após este fato, acontecimentos estranhos passam a ter lugar na aldeia.





Penúltimo filme do box da Versátil, a obra insere-se no subgênero chamado "terror pastoral" ou "terror folclórico" ("folk horror"), onde os elementos que incutem o medo estão intimamente ligados a comunidades afastadas, isoladas em meio a uma natureza hostil e imersas em crenças religiosas rígidas - recentemente acompanhamos este subgênero nas obras "A Bruxa" (2015) e "Midsommar" (2019); outros filmes nessa linha são "O Homem de Palha" (1973) e "Colheita Maldita" (1984). Toda a narrativa está imbuída das crenças religiosas dos camponeses daquele local e tudo se passa em meio aos campos e florestas do lugar, o que impõe, à natureza, uma aura maligna. A história começa muito bem, criando atmosfera de tensão e revelando ações da criatura demoníaca aos poucos, mas perde um pouco o fôlego no último terço da narrativa, com o retorno da figura do juiz. Também achei o desfecho mal conduzido - tudo acontece muito às pressas, e tudo que veio se construindo aos poucos, subitamente é interrompido, uma pena. Ainda assim é um filme de terror bom, que consegue incutir apreensão no espectador e não apela para situações esdrúxulas ou risíveis (como tantos por aí). A ambientação é ótima - o isolamento dos camponeses em meio a campos e florestas é pesado, cria, por si só, uma angústia no público. A fotografia escura, com paleta de cores fincada no marrom e no verde, ajudam a criar o clima tenso. Quanto às interpretações, destaque para Linda Hayden como Angel (que de anjo não tem nada), Barry Andrews como Ralph e Michele Dotrice como Margareth, todos bem em seus papeis. Bom filme, recomendo para amantes do terror.

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