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  • hikafigueiredo

“O Monastério”, de Bartosz M. Kowalski, 2020

Filme do dia (124/2023) – “O Monastério”, de Bartosz M. Kowalski, 2020 – Polônia, 1957. Um padre é impedido de assassinar um bebê em um estranho e macabro ritual. Trinta anos depois, o suposto padre Marek (Piotr Zurawski) chega a um afastado monastério para observar sessões de exorcismo ali promovidas. No entanto, tanto Marek, quanto os religiosos têm questões a esconder.





Alternando entre um terror psicológico e o “gore” leve e com um pé no “folk horror”, o filme “O Monastério” consegue trazer uma história diferente e um desfecho, no mínimo, inusitado. Apostando numa atmosfera profundamente sombria, a obra vai desvirtuar completamente a nossa ideia de ambiente pacífico e acolhedor de mosteiros e locais religiosos, enveredando por um verdadeiro pesadelo onde o sagrado e o profano convivem lado a lado. Na história, o jovem padre Marek chega a um monastério distante, conhecido por impactantes sessões de exorcismos em seus abrigados, aparentemente meros pacientes com condições psiquiátricas. Logo Marek presencia uma das sessões e fica estarrecido com o que testemunha. Ocorre que o padre recém-chegado não é quem afirma ser e suas convicções religiosas passam ao largo das dos monges ali encerrados. A narrativa desenvolve-se de forma bem gradual – inicialmente demora a acontecerem situações suspeitas, mas, pouco a pouco, ocorrências perturbadoras surgem para deixar Marek a cada instante mais intrigado e assustado. Para mim, as cenas mais desconfortáveis são aquelas em que os monges aparecem se alimentando com coisas indecifráveis e que Marek engole, muito contrariado, para não causar suspeitas. Temos, ainda, uma ou outra cena de jumpscare, insuficientes para afastá-lo de sua característica de terror psicológico. Não temos um grande “plot twist” na história, até porque o espectador desde cedo presume que tem algo bem errado naquele local, mas temos pequenas reviravoltas que até podem causar alguma surpresa. Acho que o mais inesperado é o desfecho, completamente fora do habitual. A narrativa é linear e o ritmo vai num crescendo do vagaroso ao moderadamente ágil. A atmosfera, como já mencionado, é beeeeeem sombria e talvez seja uma das melhores coisas do filme. O filme traz uma fotografia escura, que puxa para os tons frios - azulados/esverdeados - o que por si só já leva a certo desconforto. O desenho de produção é impecável – os ambientes são lúgubres, pesados e com frequência causam algum asco. Temos poucos efeitos visuais, mas os que nos aparecem são realmente ótimos, com destaque para o último ato. No elenco, os destaques são Piotr Zurawski como o “perdido” Marek – o ator consegue trazer todo o assombro que toma o protagonista, necessário para fazê-lo crível; Olaf Lubaszenko interpreta o Prior Andrzej – assustador desde o primeiro momento em que aparece; Sebastian Stankiewicz interpreta o irmão Piotr e Malwina Dubowska a interna. Não vou dizer que é o melhor filme de terror que já vi, mas achei que tem uma pegada consistente e, para mim, o desfecho apaga qualquer defeito da obra. Eu curti e recomendo para amantes do gênero.

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