• hikafigueiredo

"Os Emigrantes", de Jan Troell, 1971

Filme do dia (271/2017) - "Os Emigrantes", de Jan Troell, 1971 - Suécia, 1840. Numa pequena vila, Karl Oskar (Max Von Sydow) e sua esposa Kristina (Liv Ullmann) levam uma vida de trabalho árduo e privações à frente de sua fazenda. Após a morte de um de seus filhos, a família opta por emigrar para a América na companhia de vários conterrâneos.





Gente... o que tem na água da Suécia??? O que eles consomem que faz com que suas histórias e seus filmes sejam tão repletos de emoções e sensações? Porque tudo que eles fazem é tão denso, profundo, complexo???? Apesar de ter um estilo bem menos "sensorial" que seu compatriota Ingmar Bergman, Jan Troell narra uma história igualmente impregnada de dramas e realidade, com "peso" e complexidade só encontrados nestas obras nórdicas. A narrativa é bem tradicional - aqui não há muita criatividade formal ou inovações na linguagem cinematográfica utilizada. Por outro lado, a história é muito bem contada e é hábil em despertar a empatia entre público e personagens. É engraçado que, mesmo sendo super dramática, a obra em nada se aproxima daqueles melodramas americanos onde o espectador se sente 100% manipulado. Não, aqui a realidade nua e crua é exposta sem tentar envolver artificialmente o espectador - até porque a manipulação é desnecessária face à carga dramática real que está imprimida na história. No que tange ao conteúdo, este é um filme que discorre acerca da determinação e tenacidade dos personagens, em especial de Karl Oskar, decidido a seguir seus sonhos e transformar sua vida e de sua família. É realmente uma narrativa bem sólida e densa, apesar da facilidade em acompanhá-la. Nos quesitos técnicos, destaque para a fotografia propositalmente esmaecida, o que dá certo ar nostálgico e ligeiramente depressivo . Destaque, ainda, para a montagem da cena da chegada ao porto, oportunidade em que todos os personagens encontram-se inebriados e podemos sentir tal condição graças a essa edição. No elenco, "só" os maiores intérpretes do cinema sueco, os maravilhosos Max Von Sydow e Liv Ullmann, cuja sintonia cirúrgica já havia sido comprovada pelo ótimo "Vergonha" de Ingmar Bergman (1968) e, mais uma vez, confirmada nesta obra aqui. Além deles, destacaria as interpretações de Allan Edwall como Danjel e Monica Zetterlund como Ulrika. A obra é muito boa, eu adorei e recomendo

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