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  • hikafigueiredo

“Os Escravos de Satanás”, de Joko Anwar, 2017

Filme do dia (159/2022) – “Os Escravos de Satanás”, de Joko Anwar, 2017 – Após a morte de sua mãe, quatro irmãos passam a ter estranhas visões acerca de sua genitora e, para sobreviver, terão de descobrir o significado de tais sinais.





Os países do sudeste asiático têm larga tradição em filmes de terror, muitos dos quais de excelente qualidade, como “Pulse” (2001), “Espíritos” (2004) e “O Lamento” (2016). Seguindo essa tradição, o diretor Joko Anwar entrega uma obra no mínimo curiosa em seu filme “Os Escravos de Satanás”. A história começa com uma família de quatro irmãos cuja mãe encontra-se gravemente enferma. Sua aparência doentia e o receio de seus filhos de se aproximarem dela já são suficientes para causar mal-estar e estranhamento no espectador. Mas é a partir da morte da matriarca que as coisas na família se tornarão ainda mais sombrias e fora de controle, exigindo coragem e sangue frio dos irmãos para lutarem por suas vidas. A força motriz da narrativa está na relação de afeto que une os irmãos e que será essencial para o desenvolvimento da história. A narrativa é linear, em um ritmo marcado, que tende a ficar ainda mais ágil nos momentos de maior tensão. A atmosfera é lúgubre e tensa e consegue unir o “climão” de terror psicológico com algumas boas cenas de jumpscare. O roteiro consegue criar boas soluções e cria “ganchos” que se sucedem, possibilitando um envolvimento gradual do espectador, que fica intrigado com a trama e seu desenlace. Mas, como nem tudo são flores, já perto do desfecho, surge um plot-twist que, infelizmente, não me convenceu, pois renega completamente as reações de um determinado personagem até aquele momento, o que foi, para mim, um pequeno balde de água fria em relação à obra. Assim, muito embora a mudança de rota não tenha me agradado, o fato do filme ter conseguido segurar muito bem a atmosfera de tensão até o final, fez com que eu visse mais méritos que defeitos no cômputo geral. Além disso, histórias com espíritos e seitas demoníacas estão no topo das minhas preferências em filmes do gênero terror, exatamente o que a obra entrega. Tecnicamente, o filme é bem padrãozão, mas merece destaque a fotografia que é hábil em criar uma sensação de claustrofobia dentro da casa da família, com posicionamentos de câmera muitas vezes bastante criativo, aproveitando as escadas, os corredores e cômodos que se sucedem. Os efeitos especiais são pouquíssimos, mas bem aproveitados. A boa maquiagem ajuda a tornar algumas cenas ainda mais tensas. O elenco traz a atriz Tara Basro como a personagem Rini, Endy Arfian como Tony, Bront Palarae como o pai da família, Nasar Anuz como Bondi e Dimas Aditya como Hendra – tirando Dimas Aditya, que eu achei um tremendo canastrão, todos os demais convencem nos seus personagens e não fazem feio. A obra é bem divertida para quem curte o gênero e mesmo o plot twist dispensável não estraga a experiência. Recomendo especialmente para fãs de terror.

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