• hikafigueiredo

"Os Excêntricos Tenenbaums", de Wes Anderson, 2001

Atualizado: 23 de ago. de 2019

Filme do dia (62/2019) - "Os Excêntricos Tenenbaums", de Wes Anderson, 2001 - Royal (Gene Hackman) e Etheline (Anjelica Houston) formam uma bem sucedida família junto com seus três filhos Chas, Richie e Margot. As crianças, precocemente, demonstram extremo talento, cada qual em uma área do conhecimento. No entanto, anos depois, após a separação de seus pais, Chas (Ben Stiller), Richie (Luke Wilson) e Margot (Gwyneth Paltrow) revelam-se medíocres em seu desenvolvimento e fazem escolhas discutíveis quanto suas vidas, contrariando todas as expectativas.





Primeira obra de Wes Anderson a que assisti, eu, à época, não consegui captar o que o diretor pretendia com o filme. No entanto, ao longo dos anos, passei a entender melhor o "funcionamento" do diretor e ele se tornou um autor queridíssimo por mim. Compreendi que o diretor alia comédia com elementos bastante dramáticos, com um resultado bastante inusual, e repleto de uma crítica fina, sutil. Nessa obra em particular, Wes Anderson faz uma crítica bastante contundente ao sucesso, à necessidade de ser bem sucedido na vida, premissa vital para o norte-americano médio. As crianças Tenenbaum, por mais que "apontassem" para o sucesso absoluto, frustram todas as expectativas e naufragam estrondosamente em suas carreiras profissionais, bem como em suas vidas pessoais. A crítica é feita com boa dose de sutileza, um tanto de ironia e um bocado de deboche. A obra é simplesmente deliciosa!!!! Não bastasse o conteúdo excepcional, o diretor nos brinda com sua estética peculiar. Além dos posicionamentos de câmera diferentões e sofisticadíssimos, dos planos absolutamente simétricos e das paletas de cores que alternam tons pastéis com cores intensas, berrantes, a obra traz uma direção de arte que impossibilita de nos situarmos no tempo - as roupas, os objetos de cena, os veículos, tudo parece estranhamente atemporal. Com relação às interpretações, todos estão ótimos - cabe ressaltar que o elenco atua, propositalmente, de uma forma meio fake, mas isso está tão bem inserido no filme, faz tanto parte do estranhamento que a obra propõe, que nos dá a certeza que não poderia ser diferente. Destaque para Gene Hackman (ele é ótimo até mesmo parado, sem fazer nada), Luke Wilson (que, normalmente, não acho lá um ator grande coisa) e, incrivelmente, Gwyneth Paltrow (sim, tenho birra dela desde "Shakespeare Apaixonado" - e se curti a personagem dela, tenha certeza que ela fez um GRANDE trabalho!!! rs). Gene Hackman ganhou O Globo de Ouro de Ator em Comédia pelo papel, merecidamente. Filmaço, viu.

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