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  • hikafigueiredo

“Paraíso em Chamas”, de Mika Gustafson, 2023

Filme do dia (150/2023) – “Paraíso em Chamas”, de Mika Gustafson, 2023 – Três irmãs – Laura (Bianca Delbravo), Mira (Dilvin Asaad) e Steffi (Safira Mossberg) –, abandonadas pela mãe, vivem de maneira livre e anárquica sem a supervisão de qualquer responsável. Quando uma assistente social informa que fará uma visita na casa das meninas e pede a presença da mãe delas, Laura, a mais velha, busca alguém que concorde em se passar pela genitora para que elas não sejam separadas e enviadas para abrigos.





A obra, uma lindíssima história sobre o amor fraternal, foca na vida livre e irresponsável de três irmãs abandonadas pela mãe. Laura, de dezesseis anos, Mira, de doze, e Steffi, de sete anos residem na antiga casa da família e sobrevivem através de pequenos furtos e ajuda de vizinhos. Elas não seguem regras sociais, não assumem responsabilidade com os estudos ou com o cuidado da casa em que moram e levam uma vida anárquica e hedonista. No entanto, as meninas têm um compromisso tão rígido, quanto amoroso, entre si, defendendo-se ferozmente em qualquer situação. Em meio às suas vidas caóticas e desregradas, Laura é informada de que receberão a visita de uma assistente social que acredita que elas estejam sob a supervisão da mãe. Sem revelar nada às irmãs mais novas, Laura sai em busca de uma solução, temendo que as recolham e as separem em abrigos diversos. O amor que une as três irmãs é o elemento primordial da narrativa e é o que as mantém sólidas em seus caminhos. É tocante ver as meninas saindo umas em defesa das outras, acolhendo-se, protegendo-se, ainda que, por vezes, de maneira socialmente equivocada (como na cena em que Laura dá uma surra em uma garota que ousou agredir Mira ou na cena em que elas criam uma situação para furtar comida de um supermercado). É ainda mais tocante ver o desespero de Laura, a mais velha, para achar uma solução para sua situação, mostrando que leva muito a sério sua responsabilidade para com as menores. Também fiquei sensibilizada pela vida livre que as irmãs levavam, sendo guiadas apenas por sua garra e alegria em viver. A narrativa é linear, em ritmo intenso. A atmosfera é de tensão e luta contra o tempo, mas, também, de afeto e melancolia. Formalmente, temos inúmeras cenas de câmera na mão, nas quais acompanhamos as correrias das meninas. A música que surge é quase sempre diegética, ou seja, faz parte do universo ficcional. O destaque fica por conta das interpretações – as três meninas são incríveis. Bianca Delbravo é a que fica mais tempo em cena e interpreta de forma magistral a irmã mais velha, Laura, personagem que surge como o verdadeiro esteio da família; Steffi, a menor, é interpretada por Safira Mossberg, ótima como a caçula; mas é Dilvin Asaad que, em duas cenas, ganha o filme todo – a atriz é fenomenal, tem uma expressividade feroz, é simplesmente maravilhosa!!! No elenco, ainda, Ida Engvoll interpreta Hanna – a personagem é bastante curiosa, mas completamente justificada: uma dona de casa e mãe de um bebê que, por tédio e vazio existencial, opta por se envolver com as loucuras de Laura. Marta Oldenburg interpreta Zara e Mitja Siren, Sasha. Terminou a sessão, eu estava às lágrimas, completamente sensibilizada pela cena final. Eu AMEI o filme e recomendo com paixão e convicção!!!!

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