• hikafigueiredo

"Rebbeca, A Mulher Inesquecível", de Alfred Hitchcock, 1940

Filme do dia (212/2017) - "Rebbeca, A Mulher Inesquecível", de Alfred Hitchcock, 1940 - Uma jovem humilde (Joan Fontaine) conhece e se apaixona pelo rico e prestigiado viúvo Maxim de Winter (Laurence Olivier), casando-se com ele pouco depois. Mas a vida da jovem Sra. de Winters poderá ser penosa quando ela perceber que a falecida esposa de Maxim, Rebbeca, continua dominando todos ao seu redor.




Primeiro filme do diretor inglês em Hollywood, a obra, embora difira muito dos suspenses habituais do mestre, é excelente e marcante. A história retrata a luta da personagem Sra. de Winters para se adaptar e ser aceita num ambiente diferente e hostil, evidenciando o quanto a jovem é insegura, medrosa e dependente, em contraposição à antiga esposa Rebbeca. Apesar de ter mais características de drama, o filme tem, sim, um pé no suspense e revelações surpreendentes estão garantidas na obra. O roteiro tem um desenvolvimento contínuo, sem sobressaltos, bem "redondinho". A atmosfera inicial é leve, solta, mas, o retorno para a mansão de de Winter transforma-a em um clima de apreensão, angústia e medo. O visual geral da obra, com fotografia P&B, acompanha esses momentos, ajudando a definir a atmosfera - inicialmente com cenas mais claras e luminosas, depois, com recortes mais escuros. Destaque para a direção de arte caprichada. As interpretações são ótimas - Joan Fontaine está excelente como a jovem tímida e insegura, sua linguagem corporal define com excelência a personagem (ombros ligeiramente encurvados, mãos nervosas, como quem não sabe bem o que fazer com elas, sorriso tenso). Laurence Olivier dá vida ao inconstante Maxim, com arroubos de mudanças drásticas de humor. Mas, para mim, a personagem mais forte é a Sra. Danvers (Judith Anderson), a antiga criada pessoal de Rebbeca. Fascinada pela antiga patroa, "Danny" apavora a pobre Sra. de Winter, com seu semblante fechado e suas provocações pouco sutis. Judith Anderson está maravilhosa no papel e me lembrou uma versão feminina de Severo Snape de "Harry Potter". A obra foi laureada com Oscar de Melhor Filme em 1941 e mereceu outras muitas indicações, inclusive Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. O filme é excelente, merece ser visto, recomendo com louvor.

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