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  • hikafigueiredo

"Relic", de Natalie Erika James, 2020

Filme do dia (144/2021) - "Relic", de Natalie Erika James, 2020 - Após ser avisada do desaparecimento de sua mãe Edna (Robyn Nevin), Kay (Emily Mortimer) e sua filha Sam (Bella Heathcote) deslocam-se para a residência da idosa, em um lugar afastado da cidade, e passam a procurar por ela. Pela casa, sinais indicam a crescente senilidade de Edna.





A obra, camuflada sob um quase aparente terror, é, na realidade, uma metáfora do inevitável envelhecimento e do gradual declínio, físico e mental, que a idade proporciona. Digo quase aparente terror porque, embaixo da primeira camada deste gênero, temos um drama comovente sobre as necessidades de atenção, cuidados e afeto das pessoas que alcançam idades mais avançadas. O filme, ainda, discorre sobre o natural ciclo da vida: idosos dando lugar aos adultos e estes sendo, aos poucos, substituídos pelos jovens, num processo contínuo e implacável de remodelamento da vida. A obra, também, trata da responsabilidade para com aqueles que vieram antes de nós, expondo, com evidente afeto, a questão dos laços familiares e do amor envolvido nestes. Apesar deste componente profundo e dramático, no entanto, temos, num primeiro estrato, um filme de terror psicológico extremamente hábil em criar tensão sem apelar, uma única vez, ao artifício do "jumpscare". Não é bem um filme de "respostas" - aliás, não serão poucas as questões sem qualquer explicação, mas, sinceramente, isso não me incomodou nem um pouco ao fim da obra, até mesmo porque o desfecho reafirma e enfatiza a questão dramática em detrimento do puro terror. A narrativa é linear e o ritmo é lento. A atmosfera é uma amálgama de tensão, dúvida, preocupação, afeto e culpa. O filme traz uma ambientação pesada, claustrofóbica, com destaque para a cena do armário (sem spoilers). A fotografia é sombria, priorizando cenas com pouca iluminação. O filme tem efeitos especiais ótimos, mas, para mim, um tanto quanto aflitivos, principalmente nos últimos minutos da narrativa. O elenco principal, exclusivamente feminino, mostrou-se afiadíssimo, com destaque para Robyn Nevin como a idosa Edna, alternando momentos de lucidez com senilidade extrema, demonstrando, por vezes, confusão e ausência, por outras, completo controle de si. Também gostei da interpretação de Emily Mortimer como a filha Kay, que navega entre amor e culpa. Eu achei o filme perturbador e surpreendente, muito diferente da maior parte dos filmes de terror atuais, com uma pegada que me lembrou a obra "The Babadook". Gostei bastante e acho que vale arriscar.

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