• hikafigueiredo

"Rua Cloverfield, 10", de Dan Trachtenberg, 2016

Filme do dia (80/2018) - "Rua Cloverfield, 10", de Dan Trachtenberg, 2016 - Após sofrer um acidente de carro, Michelle (Mary Elizabeth Winstead) acorda, presa e ferida, no abrigo subterrâneo de Howard (John Goodman), um ex-militar aparentemente paranoico que alega que o fim do mundo chegou. No local, também se encontra Emmett (John Gallagher Jr.), um jovem rapaz que confirma, em parte, as informações prestadas pelo homem. Michelle terá de optar entre permanecer no abrigo com o instável Howard ou tentar fugir em direção ao exterior e seus perigos desconhecidos.





"Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" - esta é a lógica deste filme. A obra trabalha, com maestria, a tensão e a dúvida, tanto na personagem Michelle, quanto no espectador. Howard é, efetivamente, um perigo palpável para seus dois "hóspedes", pois, além de ter comportamentos autoritários e, por vezes, violentos, os jovens percebem, aqui e ali, algumas mentiras proferidas pelo "anfitrião" - e nem todas as mentiras parecem "inocentes". Sobra, aqui, atmosfera claustrofóbica e tensão - MUITA tensão. A opção - conseguir escapar do abrigo, uma vez que Howard parece decidido a impedir qualquer tentativa de evasão - mostra-se arriscada, pois ninguém sabe ao certo o que será encontrado no exterior... se é que realmente existe algo perigoso do lado de fora. O filme brinca, o tempo todo, com essa incerteza - o que existe lá fora? O que é pior, um inimigo conhecido ou a incógnita? Além deste jogo, o filme pontua a narrativa com acontecimentos mais tensos, alternados com cenas de distensão. Diria que a obra mantém a qualidade por quase toda a sua duração e somente nos últimos dez minutos a história fica mais esquisita e perde um pouco o fôlego (mas, ainda assim, fica acima da média dos gêneros terror e ficção). Parte técnica é okay, sem deméritos ou destaques. A atriz Mary Elizabeth Winstead consegue imprimir angústia e ansiedade em sua personagem, mas é o veterano John Goodman quem rouba do filme - constantemente o espectador se questiona se Howard é um homem bem-intencionado sob pressão ou se é um maluco de pedra prestes a assassinar seus dois "convidados". A obra é beeeeem bacana, alcança sua proposta de promover a tensão e o terror psicológico e dá medinho. Eu curti bastante (ainda que o desfecho não seja 100%) e recomendo para quem curte o gênero.

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