• hikafigueiredo

"Sete Homens e Um Destino", de John Sturges, 1960

Filme do dia (229/2020) - "Sete Homens e Um Destino", de John Sturges, 1960 - Um pequeno vilarejo na fronteira do México com os EUA é, anualmente, atacado por bandoleiros. Cansados de serem roubados, os camponeses atravessam para o Texas atrás de armas e homens para defendê-los.




Impossível falar deste filme sem compará-lo ao original japonês - "Os Sete Samurais", de Akira Kurosawa (1954). Inegável que a versão western da história permanece sendo um ótimo filme, mas, definitivamente, inferior à obra que lhe serviu de base. Essa diferença deve-se, em parte, à construção mais cuidadosa da versão japonesa, que, inclusive, tem uma hora a mais do que a americana. Durante essa uma hora a mais, as características dos personagens e a estratégia de defesa e ataque do grupo se consolidam, de forma que o filme ganha tanto em empatia com o público - que se apega bem mais aos personagens samurais - quanto em verossimilhança - parte das opções encontradas pela versão americana fragilizam a história, tornando-a menos factível. Adoraria fazer uma análise comparativa entre as duas obras, mas isso desaguaria em uma série de spoilers e acabaria com a diversão do futuro espectador. De qualquer forma, a versão western mantém bastante qualidade e se tornou obrigatória na filmografia americana. A narrativa segue tempo linear e o ritmo é intenso, infinitamente mais acelerado que o ritmo da obra original (que, para um filme japonês, é bastante ágil, mas quase insuportável para o público norte-americano). A trilha sonora da obra,assinada por Elmer Bernstein, tornou-se icônica - duvido que tenha alguém que jamais tenha ouvido a música tema desse filme. Destaque para o elenco estrelado e bastante afinado , encabeçado por Yul Brynner no papel de Chris Adams (de certa forma, o líder dos pistoleiros) e Steve McQueen no papel de Vin. Outros nomes do elenco são Charles Bronson como Bernardo O'Reilley, James Coburn como Britt, Robert Vaughn como Lee, Brad Dexter como Harry e Horst Buchholz como Chico. Aqui preciso fazer um aparte. Na versão americana, o personagem do jovem samurai e do samurai "vagabundo" são mesclados, tornando-se um só. Uma pena, porque perdeu boas características dos dois personagens da versão japonesa. Por outro lado, entendo. Toshiro Mifune encarnou tão excepcionalmente o papel do samurai "vagabundo" que seria covardia delegar a qualquer ator esse papel e as comparações seriam cruéis com o pobre que se arriscasse na empreitada. Melhor saída a de fazer esse personagem híbrido, afastando fantasma de Mifune do intérprete desse papel. Voltando ao elenco, Eli Wallach interpretou o personagem Calvera, o vilão da história. Como já frisei, "Sete Homens e um Destino" é um ótimo filme, vale a pena a visita, mesmo para quem não é grande fã do gênero.

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