• hikafigueiredo

"Stroszek", de Werner Herzog, 1977

Filme do dia (147/2017) - "Stroszek", de Werner Herzog, 1977 - Bruno Stroszek (Bruno S.) é um músico de rua, com certa deficiência intelectual e alcoólatra, recém egresso da prisão. Ele se junta a Eva (Eva Mattes), uma prostituta constantemente espancada e humilhada por seus cafetões, e a Scheitz (Clemens Scheitz), um vizinho idoso e excêntrico,e, juntos, decidem migrar para os Estados Unidos, na expectativa de uma vida melhor.





A obra, escrita especificamente para a interpretação de Bruno S., com quem Herzog já havia feito "O Enigma de Kaspaer Hauser", em 1974, coloca na tela a imagem da desilusão, dos sonhos que se esfacelam. O filme trava uma interessante discussão acerca da solidão, da incompreensão, da completa ausência de comunicação (não só por barreiras externas, como a língua diferente ou a cultura desconhecida, mas, também, por travas internas, por egoísmo, por deslealdade, por falta de empatia) - Bruno é um solitário, incompreendido por sua limitações intelectuais, desprezado por sua simplicidade e até mesmo por sua ingenuidade. Apesar do aparente companheirismo dos demais personagens, com o desenrolar da história percebemos tratar-se de mera fachada, nenhum sentimento é legítimo, tudo é superficial. É uma obra que desperta muita compaixão no espectador, porque sobra crueldade e desolação e falta acolhimento de qualquer espécie ao personagem título. O ritmo é bem europeu, lento, mas constante e alterna cenas com acontecimentos com outras bastante contemplativas. Visualmente não é um filme "vistoso" - a fotografia é bem acinzentada, meio opaca, sem brilho. Da mesma forma, os planos são quadradões, simples, sem grandes inovações. Não gostei da música do filme, chegou a me incomodar um pouco, com exceção daquelas musiquinhas cantadas por Stroszek. Bruno S. quase que interpreta a si mesmo na obra, já que ele realmente tinha problemas psiquiátricos, tendo passado muitos anos de sua vida em hospitais psiquiátricos (motivo pelo qual ficou perfeito como Kaspar Hauser). Eva Mattes faz uma Eva fria, impaciente e ingrata - está muito bem no papel; e Clemens Scheitz faz um velhinho meio maluco, com olhar de doidinho. Gostei da obra, mas acho que não é para todo mundo. Para quem gosta da obra de Herzog, pode ir sem medo.

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