• hikafigueiredo

"Tinta Bruta", de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, 2018

Filme do dia (129/2019) - "Tinta Bruta", de Filipe Matzembacher e Márcio Reolon, 2018 - Pedro (Shico Menegat) é um jovem introspectivo que tenta lidar com inúmeros problemas. Sua válvula de escape e fonte de renda é um canal de internet onde ele exibe performances eróticas com o corpo coberto de tinta fluorescente para um público cativo. Ao saber que suas apresentações estão sendo copiadas por outro rapaz, ele sai em busca de seu concorrente.





O filme tem o grande mérito de colocar em pauta assuntos importantes como a homofobia, o bullying, o sentimento de inadequação, o abandono material e psicológico, a depressão, as relações homoafetivas, a falta de empatia e a luta pela sobrevivência física e emocional. Pedro vive recluso pois, a vida inteira, foi alvo de "brincadeiras" e violências decorrentes de seu jeito tímido e de sua homossexualidade. Num certo momento de sua vida, Pedro reagiu aos seus algozes e, agora, paga um preço alto por tentar, ao menos uma vez, impor-se ao "inimigo". Concomitantemente, Pedro não encontra acolhimento em lugar algum - sem amigos e praticamente sem família, parece que ninguém se importa com ele. É nesse ambiente inóspito e angustiante que a obra se desenrola. O problema do filme é que ele não desenvolve com regularidade estas temáticas propostas - a impressão que eu tive é que a narrativa não flui bem, parece que a história acontece aos trancos. Outro ponto que "pegou" foi não conseguir me envolver sensorialmente com a obra - eu compreendi os temas e simpatizei com a proposta, mas não "senti" o filme, não houve envolvimento emocional com a narrativa e isso foi frustrante, principalmente porque os próprios assuntos tratados pediam esse envolvimento. Em outras palavras, tive a impressão de ter ficado na superfície da obra e, não, "mergulhado" nela. Não curti a fotografia, que só foi melhor aproveitada nas cenas das performances com tinta fluorescente. A trilha sonora é esquisitinha, mas original, e acredito que tenha servido para dar um impulso a bandas ou intérpretes regionais pouco conhecidos (e isso sempre será uma virtude). Apesar do personagem exigir bastante apatia, gostei de Shico Menegat no papel - ele é um fofo e senti forte empatia pelo rapaz de vida difícil e alvo de eterno bullying. Também gostei de Bruno Fernandes como Leo e acho que rolou uma química boa entre os atores. Aliás, que fique claro que existem cenas bem apimentadas, necessário tirar crianças da sala e evitar assistir com a avó septuagenária. Eu diria que o filme é mediano, tinha potencial para mais do que entregou, mas tem méritos e merece uma chance.

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