• hikafigueiredo

"Toni Erdmann", de Maren Ade, 2016

Filme do dia (146/2019) -"Toni Erdmann", de Maren Ade, 2016 - Aos 68 anos, Winfried (Peter Simonischek) é um homem solitário e distante de sua única filha, Inês (Sandra Hüller). No entanto, brincalhão e de bem com a vida, Winfried constantemente prega peças e faz brincadeiras com os parentes, amigos e até desconhecidos. Inês, ao contrário é uma séria e ambiciosa executiva que passa a vida trabalhando, o que exaspera o pai. Aproveitando suas férias, Winfried faz uma visita surpresa à sua filha, em Bucareste. O encontro poderá ser decisivo para a vida de ambos.





O filme alemão discorre sobre um tema universal, filosófico e vital - o sentido da vida. A questão que se propõe é: o que faz uma existência valer a pena? São as ambições e os planos para o futuro? É o prazer de viver o aqui e agora, aproveitando cada minuto num eterno hedonismo? Há, na história, um embate entre duas posições diametralmente opostas, representadas de um lado por Winfried e, de outro, por Inês. No entanto, apesar do tema extremamente profundo e sério, o filme trata-se de uma comédia, ou, ao menos, de uma comédia dramática. Tudo bem que o humor alemão é bem diferente (admito que não o compreendo muito bem, okay?), mas, ainda assim, tem inúmeras passagens supostamente cômicas. A obra já inicia dando mostras da personalidade do protagonista - sem qualquer motivo para tanto, ele prega uma peça no carteiro que vem lhe trazer um embrulho. Pela primeira meia hora, a história transcorre bem, mostrando a falta de sintonia entre Winfried e Inês. Quando Winfried chega a Bucareste, no entanto, o discreto humor dá lugar a um quase non sense. Well, eu gosto de non sense... mas aqui a bizarrice descamba para situações desconfortáveis, que elevam a vergonha alheia a níveis intergalácticos. Aparentemente o humor da obra está intimamente ligado a esse desconforto vivido pelos personagens e, por reflexo, pelo espectador. A obra me segurou bem pelos seus 162 minutos de duração, mas a vergonha alheia constante me incomodou um bocado. Os quesitos técnicos seguem o padrão hollywood, sem destaques especiais. Peter Simonischek interpreta Winfried (e seu alter ego Toni Erdmann) com competência - sabe o "tio do pavê?" Aquele cara que não tem filtro social nenhum para piadas e que acha que toda e qualquer situação merece um trocadilho ou uma mentira absurda para divertir seu público... então, este é o protagonista. Sandra Hüller também interpreta com rigor sua asséptica Inês, cuja ambição extrema a leva a aceitar diversos abusos no ambiente corporativo - manterrupting, mansplaining, assédio, e por aí vai - para desgosto de seu pai, inclusive, que vê a filha afundada até o pescoço no trabalho. O filme foi bem cotado nos festivais e premiações, concorreu à Palma de Ouro em Cannes em 2016 e ao Oscar de Filme Estrangeiro em 2017, perdendo para "Eu, Daniel Blake", de Ken Loach e "O Apartamento" de Asghar Farhadi, respectivamente. Eu até gostei do filme, mas não achei para tanto seu sucesso.vale a visita, mas prepare-se para passar muita vergonha alheia.

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