• hikafigueiredo

"Uma Família de Dois", de Hugo Gélin, 2016

Filme do dia (216/2018) - "Uma Família de Dois", de Hugo Gélin, 2016 - Samuel (Omar Sy) leva uma vida hedonista no litoral do sul da França. Um dia, Kristin (Clémence Poésy), um ex-caso de Samuel, aparece e lhe entrega um bebê, dizendo ser sua filha, desaparecendo em seguida. Samuel viajar para Londres na tentativa de encontrar Kristin, mas, sem sucesso, assume a filha integralmente, o que modificará completamente a sua vida.





Este é o típico filme que, se fosse feito em Hollywood, teria virado um melodrama sem precedentes. Sim, sim, temos aqui um forte componente propício ao melodrama, mas, o fato de ter sido feito fora de Hollywood, pôde fazer a obra se transformar num drama sensível, pontuado com alguns alívios cômicos. O filme é todo delicinha, mas, lá pelo meio da obra, descobrimos que, em algum momento, a leveza dará espaço a algo mais dramático, pesado - e esse momento chega para arrasar corações mais sensíveis. O filme discorre sobre amor, sonhos, perdas e, acima de tudo, responsabilidade, em especial a responsabilidade relativa aos afetos, aos cuidados com aqueles que amamos. Apesar de trazer um discurso de "lição de vida" - algo que, habitualmente, eu não curto -, a obra consegue passar sua mensagem de uma forma doce e sensível e certamente vai tocar o espectador, principalmente aquele que se sente responsável por alguém (filhos, pais, avós, amigos, "whatever") - como esse é o meu caso, o filme me atingiu feito uma granada. Tecnicamente, o filme tem um ótimo padrão de qualidade, e eu destacaria a trilha sonora, bem bacana e variada. Omar Sy usa e abusa de seu charme e de toda a sua expressividade para fazer um Samuel carismático, que oscila entre a responsabilidade e a irresponsabilidade, equilibrando bem comicidade e dramaticidade. Clémence Poésy está ótima como a perdida Kristin - você irá odiá-la a certa altura do filme, mas ela se redime no final e é possível ter empatia por ela. Antoine Bertrand pesa um pouquinho o seu "Bernie", amigo de Samuel, mas, ainda assim, curti o personagem. E Gloria Colston está maravilhosa como a filha sonhadora e feliz de Samuel e Kristin. Sei que vai ter gente que vai achar a história meio melosa - gente de coração peludo!!!!! - mas rolou uma identificação forte aqui deste lado. Filme doce, recomendo. PS - A obra é um remake do filme mexicano "Não Aceitamos Devoluções", de quem já vi o trailer mas não cheguei a assistir, motivo pelo qual não posso fazer qualquer comparação.

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