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  • hikafigueiredo

“Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio”, da Sam Raimi, 1981

Filme do dia (27/2023) – “Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio”, da Sam Raimi, 1981 – Cinco jovens universitários viajam para uma cabana afastada, no alto de uma montanha, no meio de uma floresta. No local, encontram um antigo livro sumério capaz de evocar forças malignas e, sem querer, acabam liberando estas forças do mal, as quais se voltam contra os amigos.





Clássico absoluto dos filmes de terror da década de 1980, essa obra, de baixíssimo orçamento, vem atravessando décadas acumulando fãs e detratores quase na mesma medida. É fato que o filme está longe de ser uma obra cinematográfica de qualidade técnica induvidosa – muito pelo contrário-, mas o que falta em requinte, sobra em criatividade e ousadia. Porque, vamos combinar, é um filme ousado, MUITO ousado. A obra consegue, como poucas, aliar gêneros diversos como o terror “slasher”, a comédia, o suspense, tudo divinamente temperado com doses cavalares de “trash”. O argumento, em si, já nos remete à obra de ninguém menos que o escritor H. P. Lovecraft, pois o Livro dos Mortos do filme é exatamente o Necronomicon imaginado pelo autor fantástico nos idos da virada dos séculos XIX para XX, e explorado no filme homônimo de 1993. O desenvolvimento do roteiro, por sua vez, é hábil em criar tensão, ainda que por vezes interrompida por crises de riso eventuais – sim, porque temos aqui um legítimo exemplar do “terrir”, a notória aliança entre o terror e a comédia. Mas o que faz a obra ser tão controversa? Eu acredito que tenha sido a opção – porque acredito fielmente de que tudo ali fora pensado e escolhido intencionalmente – pelo grotesco, pela violência gráfica extrema, pelo exagero e pelas imagens explícitas e ao mesmo tempo completamente “fakes” da obra. Se eu gosto do filme é justamente porque é um “slasher” falso, que não convence ninguém, mas que abre a nossa imaginação para uma situação hipotética que, desprovida desses elementos fakíssimos, seria beeeeeem pesada e assustadora. Algo que eu adoro no filme é sua câmera constantemente sob o ponto de vista de terceiro – que pode ser um dos personagens, mas que, na maioria das vezes, é de “alguém ou algo” fora do nosso conhecimento -, que corre através da floresta, adentra a casa, observa das janelas. Por vezes, o observador permanece incógnito, mas, há alguns momentos em que os personagens veem algo que, para o espectador, continua desconhecido e isso consegue ser bastante tenso e assustador. Também acho bastante criativos os posicionamentos de câmera e as opções de planos – como a brincadeira dos closes dos olhos dos personagens Ash e Linda, ou a câmera que circunda Ash pelo alto em determinado momento da narrativa. A trilha sonora é bem aproveitada na condução da atmosfera, como na fuga de Cheryl pela floresta, um dos pontos altos do filme. Gosto, também, da opção pelo stop-motion já nos minutos finais da obra (com massinha!!!!! Adooooro stop-motion com massinha de modelar!!!!). Acredito que nada é mais atacado pelos detratores do filme do que as maquiagens e os “defeitos” especiais do filme – ambos extremamente mambembes. Eu vejo ambos como uma opção barata e consciente do diretor, mas, também, como uma construção formal e estética de Sam Raimi – okay, aqui, do aconchego do meu sofá, aquelas figuras demoníacas são hilárias, mas será que elas seriam assim tão engraçadas se você estivesse na pele dos personagens? Eu tenho a opinião que é um filme para o espectador “comprar” a ideia, entrar na “vibe”, sabe??? Eu me divirto demais com ele e consigo alternar momentos de tensão com verdadeiras gargalhadas (e muito nojinho rs). Outro ponto destacado negativamente é a canastrice do elenco – todos ali são atores e atrizes de filmes B, muito exagerados e nada convincentes, mas que, na minha opinião, combinam perfeitamente com a obra, com destaque absoluto para Bruce Campbell como Ashley (ou Ash), ator que fez uma parceria bastante duradoura com o diretor Sam Raimi. Bom, já ficou evidente que eu sou da turma que curte o filme e se diverte um monte com ele, né? Mas entendo que é necessário certo desprendimento para com a obra...rs. Recomendo???? Claro que recomendo!!!! XD

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