• hikafigueiredo

"Uma Noite de 12 Anos", de Álvaro Brechner, 2018

Filme do dia (241/2018) - "Uma Noite de 12 Anos", de Álvaro Brechner, 2018 - Uruguai, 1972. Três integrantes do grupo dos Tupamaros, guerrilha que lutava contra a ditadura militar no Uruguai, - José "Pepe" Mujica (Antonio de la Torre), Mauricio Rosencof (Chino Darín) e Eleuterio Fernández Huidobro (Afonso Tort) - são sequestrados e detidos, sem qualquer processo legal, pelos agentes do governo militar. Ao longo de doze anos, os três rapazes lutam para manter a sanidade mental e a esperança em meio às torturas físicas e psicológicas impostas pelos militares.





O filme discorre sobre o período em que os três integrantes dos Tupamaros - dentre os quais aquele que viria a ser presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica - ficaram sob o poder do estado, sofrendo toda a sorte de torturas e lutando por suas vidas. É um relato seco, forte e doloroso do quanto o ser humano pode ser, por um lado, vil, cruel, covarde e hipócrita e, por outro, determinado, esperançoso e dotado de espírito inquebrantável. Apesar dos doze anos de cárcere, sob as mais cruéis condições, os três homens não apenas mantiveram sua lucidez, mas, ainda, seus sonhos e aspirações, tornando-se, anos depois, figuras admiráveis e proeminentes na política de seu país. É uma obra extremamente atual, principalmente se considerarmos o momento em que vivemos no país, onde a política flerta, aberta e despudoradamente, com o autoritarismo, acenando muito claramente com a possibilidade de romper as regras democráticas (que Deus nos livre disso). O tempo da obra é cronológico, com algumas inserções em flash back, e acompanha, de uma maneira um pouco aleatória, o período de cárcere dos três homens. Aquele espectador que ainda guarda alguma humanidade e empatia terá certa dificuldade em assistir ao filme, não obstante não haja nenhuma cena apelativa de tortura (nem precisa, a agonia lenta dos três homens, dia após dia, é suficiente para causar sofrimento e horror ao espectador não embrutecido). As interpretações dos três atores é incrível, todos conseguem transmitir o medo e desespero iniciais, passando para o desalento, os personagens despojados de tudo quer os torna humanos, mas, ainda, restando uma chama interna que os move adiante, e, finalmente, a liberdade (não é spoiler, poxa, isso tudo é histórico!!!). Destaque para a cena em que toca "The Sound of Silence", para a que Huidobro joga futebol com uma bola imaginária, para a cena do primeiro banho de sol após anos de escuridão e para a da libertação dos enclausurados. O filme é sofrido, mas lindo... sempre resta a esperança. Necessário e obrigatório urgentemente.

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