• hikafigueiredo

"Variedades", de Ewald André Dupont, 1925

Filme do dia (354/2020) - "Variedades", de Ewald André Dupont, 1925 - Um ex-trapezista, "Chefe" Huller (Emil Jannings), contrata uma nova dançarina, Bertha (Lya De Putti), para seu show de variedades, sendo seduzido por ela, com resultados catastróficos para a sua vida.





Baseado em um romance de Felix Hollaender, o filme guarda poucas características do Expressionismo Alemão, dentre as quais a atmosfera de desalento inicial, que rapidamente se desvanece quando o personagem Huller passa a fazer uma retrospectiva de seu passado. A história é previsível e manjada e provavelmente o filme passaria batido, não fossem algumas passagens bem criativas e o elenco de qualidade, encabeçado pelo sempre ótimo Emil Jannings. A narrativa trata do romance entre o "Chefe" Huller e Bertha, que se mostra, inicialmente, apaixonada, mas logo revelará as reais intenções da moça, o que deságua em uma história de traição e ciúme evidente desde o princípio do filme, portanto, não espere surpresas - fixe-se nas cenas ritmadas da feira de variedades e nas cenas do trapézio que, aos nosso olhos de hoje podem até não ser significativas, mas que em 1925 mostravam-se bastante ousadas e criativas. A narrativa é um grande flashback do "Chefe" Huller, que, em busca de redenção, narra as circunstâncias de um crime que cometeu. A atmosfera inicial é pesada e desalentadora, ganhando ares alegres e, posteriormente, um tanto de tensão até o desfecho. O ritmo tem uma agilidade incomum para os filmes da época, em especial na parte da feira de variedades, quando nos são mostrados os talentos de vários e diversificados artistas, bem como a reação do público frente a eles. A fotografia P&B é menos contrastada do que o normal para o Expressionismo, mas conta com enquadramentos interessantes e criativos. Emil Jannings, um ator diferenciado e de talento indiscutível, traz alguma graça para a historinha pouco inspirada como o personagem "Chefe" Huller - a gama de expressões faciais de Jannings que vão de olhares apaixonados e felicidade extrema à mais profunda decepção e ao arrependimento atroz é incrível, ele era realmente um grande profissional; Lya De Putti, por sua vez, ótima como a insidiosa Bertha, revela que a atriz ficou um pouco marcada pelo papel de "femme fatale", tendo interpretado praticamente a mesma personagem em "Fantasma" (1922) - engraçado como os padrões estéticos mudam com o tempo, pois a atriz jamais seria considerada bela e sedutora atualmente e é óbvio que, para a época, ela era um escândalo de atraente. No elenco, ainda, Warwick Ward como Artinelli e Maly Delschaft como a esposa abandonada de Huller. Não diria que é um filme excepcional, mas a obra guarda lá suas virtudes, ainda que muito datadas. Vi sem sofrimento, mas acho que, para conhecer o Expressionismo Alemão, tem obras muito mais marcantes, motivo pelo qual recomendo com reservas.

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