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  • hikafigueiredo

"20 Milhões de Léguas à Marte", de Edward Bernds, 1956

Atualizado: 20 de dez. de 2022

Filme do dia (154/2022) - "20 Milhões de Léguas à Marte", de Edward Bernds, 1956 - Após uma missão à Marte, uma equipe de astronautas acidentalmente atinge uma tal velocidade que acaba sendo jogada para o futuro. Ao retornarem à Terra, encontram um ambiente inóspito, povoada por estranhas criaturas assemelhadas a humanos, mas completamente selvagens.





Apesar de algumas boas ideias contidas no filme, incluindo uma rápida explicação das teorias de Einstein sobre a relação tempo-espaço, essa obra consegue ultrapassar todos os limites de tosquice possíveis. Como filme assumidamente "B", era de se esperar que fosse uma obra para não ser levada muito a sério, mas, "pelamor", não precisavam exagerar assim! Aqui, mais uma vez, encontramos a paranoia atômica, posto a destruição da Terra do futuro acontecer em decorrência de uma guerra nuclear generalizada. Uma boa ideia foi colocar, na história, a questão das mutações decorrentes da radiação nuclear, ideia essa sub-aproveitada na minha opinião. O roteiro também desperdiça a boa ideia da divisão da humanidade em seres selvagens e seres evoluídos ao pesar a mão nas contradições e, depois, oferecer soluções sofríveis para os dilemas propostos. A existência de um pequeno trecho na Terra do passado se mostrou completamente dispensável. Algo que me irritou profundamente, ainda que entenda que o filme tenha sido realizado na década de 50, foi o papel imposto às mulheres na história - além de todas as mulheres da história serem objetificadas pelo uso de roupas reveladoras e sensuais, elas surgem numa condição extremamente servil: aos homens cabem a ciência, o poder político e todas as decisões; às mulheres restam servir a estes homens. Aaaaaah, por favor, não existir nenhuma mulher em outra condição é revoltante, mesmo considerando a época em que o filme foi realizado!!!! Tecnicamente, o filme não nega, por um segundo sequer, sua condição de baixo orçamento: dos efeitos especiais canhestros à direção de arte medíocre, tudo evidencia a produção sem grandes condições. Seguindo a mesma regra, as interpretações não podem ser consideradas dignas de admiração, definitivamente... O elenco traz Rod Taylor, Hugh Marlowe, Christopher Dark, Nelson Leigh, Nancy Gates, Lisa Janti, Booth Colman e Everett Glass - enfim, atores e atrizes bem pouco conhecidos do grande público (dali, só me lembro de Rod Taylor em "Os Pássaros", 1963). O filme dialoga com outro de perfil semelhante, o ótimo "O Planeta do Macacos" (1968) e suas sequências. Não vou fazer qualquer defesa da obra - ela poderia ser infinitamente melhor se houvesse um pouco mais de cuidado no roteiro, mesmo mantendo o baixo orçamento. Não curti, achei tosquíssimo. Dispenso e não recomendo (exceto para quem curte uma trasheira... esses vão curtir o filme com certeza).

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