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“A Mecenas”, de Julia Thelin, 2026

hikafigueiredo
há 1 minuto
2 min de leitura

Filme do dia (18/2026)- “A Mecenas”, de Julia Thelin, 2026 – Uma faxineira (Carla Sehn) aproveita a viagem ao exterior de sua empregadora, uma famosa galerista de arte, para fazer-se passar por ela. Em uma festa badalada, ela conhece dois estudantes de arte (Lucas Lyngaard Tonnesen e Maxwell Cunningham), os quais, convencidos de que ela é a empresária de arte, passam a adulá-la, com resultado imprevisível.


 

Este drama sueco traz uma discussão sobre fuga da realidade, negação de identidade, anseios de reconhecimento e poder, controle e manipulação. A faxineira sem nome passa-se pela famosa galerista Anika, convencendo dois ambiciosos estudantes de arte dessa identidade. Interessados em fazer parte do acervo da galeria comandada pela verdadeira Anika, os estudantes colocam-se à sua disposição, satisfazendo desejos e recebendo ordens da jovem impostora. Inicia-se um envolvente – mas perigoso – jogo de sedução, interesse e poder entre os três personagens, o qual pode desfazer-se ao menor passo em falso da farsante. O filme também traz, como assunto transversal, questões relacionadas às diferenças sociais e ao acesso a bens de consumo, pois fica evidente que, tanto a faxineira, quanto os estudantes, encontram-se seduzidos por aquele ambiente de luxo e possibilidades ilimitadas. A narrativa tem um ritmo marcado, trazendo uma atmosfera de tensão crescente – o espectador mantém-se em constante apreensão de que a faxineira será desmascarada a qualquer momento, temendo pelo que pode acontecer com ela nessa hipótese, muito embora fique claro que a protagonista se sente muito atraída pelo perigo e risco envolvido e se mostra nada disposta a renunciar a suas mentiras. Acredito que a palavra que melhor define a narrativa é sedução – seja pelo poder, seja pelo dinheiro, seja pelo reconhecimento, todos estão seduzidos por aquela ilusão. Formalmente é uma obra correta, sem deslizes, mas também sem nada de muito extraordinário. Gostei do desenho de produção da casa da galerista – sua configuração meio labiríntica nos remete ao jogo de aparências e à atmosfera tensa da narrativa. Tenho ressalvas quanto à trilha musical que acerta em alguns momentos – como no uso de obras atonais e que causem estranhamento – e erra miseravelmente em outros – como o uso de uma música “alegrinha” em um momento de interação entre os personagens. Quanto às interpretações, todos estão bastante bem em seus papeis. Carla Sehn talvez não aprofunde muito a personagem, mas consegue convencer com o cinismo e um certo deboche sutil da protagonista. Os personagens de Lucas Lyngaard Tonnesen e Maxwell Cunningham, por sua vez, equilibram-se entre o mais puro interesse e a inocência em achar que seriam “vistos” pela verdadeira galerista, a demonstrar competência em suas interpretações. Gostei, foi o filme que mais me prendeu no primeiro dia da Mostra de Cinema. Terceiro filme visto na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

 
 
 

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