• hikafigueiredo

"Amor, Drogas e Nova York", de Benny Safdie e Josh Safdie, 2014

Filme do dia (139/2017) - "Amor, Drogas e Nova York", de Benny Safdie e Josh Safdie, 2014 - Harley (Arielle Holmes) é uma jovem viciada em heroína e moradora de rua. Ela vive um relacionamento abusivo e doentio com Ilya (Caleb Landry Jones) que, como Harley, vive nos limites da sobrevivência. Juntos ou não, eles vagarão por Nova York atrás de mais uma dose.





Obra biográfica, o filme faz um recorte da existência sombria dos viciados em heroína, tendo, como atriz, a própria protagonista daquela narrativa. Diferentemente de outros filmes sobre o vício de drogas, os quais, antes do mergulho inevitável no inferno, passam por algum momento de euforia, esta obra concentra-se única e exclusivamente no limbo final em que vivem os personagens. Aqui não há alegria, não há euforia, não há glamour, tudo é cinza, vazio e sem perspectiva. Os personagens apenas (sobre)vivem o momento e o máximo que almejam é o próximo "pico". Para completar o quadro melancólico, Harley vive um terrível relacionamento abusivo e destrutivo com Ilya, rapaz cruel, doentio e absolutamente desleal. Ao contrário de filmes como "Candy", "Réquiem para um Sonho", "Christiane F. " e "Trainspotting", onde os personagens vivenciam, em algum momento, relacionamentos afetivos ou amorosos minimamente verdadeiros, onde há, ao menos em parte, uma preocupação legítima com o outro, seja esse um amigo, um parceiro ou um companheiro, aqui Harley está completamente sozinha, desprovida de qualquer mínimo afeto. Em suma... o ambiente da obra é o nono círculo do inferno. Formalmente, a obra tem um apelo documental, sem nenhum rebuscamento na imagem - a fotografia é apagada, esmaecida, sem qualquer brilho ou cor. Os enquadramentos são simples e crus, e vários são os planos com a câmera na mão. Os atores estão perfeitos em suas interpretações, em especial Arielle Holmes, que interpreta a si mesma em meio à sua própria história. A música eletrônica é incômoda, repetitiva e causa certo mal estar. Por fim, não espere um clímax nesta obra - como eu disse, trata-se de um recorte aleatório daqueles personagens. O filme é muuuuuito bom, mas faz mal, viu, ele dá a maior deprê. Recomendado para fortes.

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