• hikafigueiredo

"Batismo de Sangue", de Helvécio Ratton, 2006

Filme do dia (228/2017) - "Batismo de Sangue", de Helvécio Ratton, 2006 - Brasil, década de 60. Cinco jovens frades dominicanos - dentre eles Frei Betto (Daniel de Oliveira) e Frei Tito (Caio Blat) - envolvem-se com o movimento estudantil e, em consequência disso, com a resistência na época da ditadura. A descoberta desse fato pelas forças de repressão levará os jovens frades a uma descida ao inferno.





Baseado nos fatos reais divulgados através do livro escrito por Frei Betto, o filme é um retrato fiel e impactante acerca da época da ditadura militar, mostrando, de maneira crua, os horrores dos porões da repressão. Se você tem estômago fraco, prepare-se para cenas explícitas de torturas e humilhações, daquelas de deixar enojada qualquer pessoa com o mínimo de empatia por seus semelhantes. A obra é bem mais que excelente - ela é vital, necessária!!! Talvez se mais pessoas vissem o filme não houvessem tantos celerados falando asneira e defendendo imbecilidades por aí. Além de conteúdo histórico pornograficamente preciso e imprescindível, o filme é formalmente perfeito. Com uma direção segura e um roteiro redondo, a obra conta, ainda, com uma fotografia de qualidade e uma direção de arte de época excepcional. A trilha sonora é pontuada por músicas que fizeram sucesso naquele período, como, por exemplo, "A Banda", de Chico Buarque. Quanto às interpretações, Caio Blat está muito muito muito bem como Frei Tito (que história triste a dele, pelamor...) e Daniel de Oliveira também não decepciona como Frei Betto (esclarecendo que seu papel exige bem menos do que o de Caio Blat). Temos no elenco, ainda, Cassio Gabus Mendes, maravilhoso e, ao mesmo tempo, horrendo, como Fleury, delegado do DOPS e renomado torturador sádico do período, além de Ângelo Antônio como Frei Oswaldo (bem, mas num papel pouco exigente), Odilon Esteves como Frei Ivo (ótimo também, interpretação difícil), Leó Quintão como Frei Fernando (outra interpretação difícil , mas o ator atuou muito bem) e Marcélia Cartaxo numa pontinha. A obra é brilhante, um verdadeiro grito de socorro e indignação, tem que ser visto, tem. Recomendo para ontem.

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