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  • hikafigueiredo

"Crepúsculo", de Erlingur Thoroddsen, 2017

Filme do dia (302/2020) - "Crepúsculo", de Erlingur Thoroddsen, 2017 - Pouco depois de terminar seu relacionamento com Einar (Sigurour Por Oskarsson), Gunnar (Björn Stefansson) recebe, no meio da madrugada, uma estranha ligação do ex-namorado. Preocupado com Einar, ele parte para o interior para encontrá-lo.





Pensa em um filme estranho. Então, você está pensando neste filme aqui. A obra se situa nos limites entre o terror, o suspense e o drama e é impossível classificá-la dentro de um único gênero. O curioso do filme é que, ao final dele, o espectador tem mais dúvidas do que respostas e uma sensação de estar à beira da compreensão do seu conteúdo, mas, estranhamente, isso não incomoda, ao contrário, instiga.O ponto é que o filme praticamente brinca com o espectador, envolvendo-o em uma atmosfera de tensão que beira o pânico - e a gente nem consegue alcançar o porquê deste pânico, já que em grande parte da obra não acontece nada que justifique o terror que se avoluma. Existe, ao longo da narrativa, pequenos detalhes que nos causam estranhamento, mas que não justificam o medo que nos surge - uma porta que insiste em não fechar, uma história esquisita contada por Einar, uma brincadeira boba de esconde-esconde, tudo vai criando o "climão", típico do terror psicológico. Pois é justamente nesse "climão" que reside o melhor da obra. A narrativa é linear e bem convencional, fluindo com suavidade. O ritmo é moderado com picos mais ágeis. A atmosfera, além de tensa, é melancólica por conta dos resquícios do relacionamento entre Gunnar e Einar. Uma coisa que me chamou a atenção é que o filme subverte, em parte, os típicos elementos dos filmes de terror, como a música que "sobe" antes de acontecer algum evento excepcional - a música se eleva, acontece realmente algum evento, mas nada que pareça anormal ou sobrenatural - isso acontece várias vezes e vai, aos poucos, acabando com o nosso psicológico, sem, no entanto, dar vazão a essa tensão, é bem bizarro. Adorei a locação utilizada, um chalé modernoso e aconchegante no meio de uma planície rochosa, sem nada por perto. Destaque para a fotografia que aproveita bastante essa beleza cênica do lugar. Curti as interpretações da dupla central de atores (de nomes nórdicos impronunciáveis), mas, dos dois, quem me despertou maior estranhamento foi Sigurour Por Oskarsson como Einar - o personagem é lindinho e esquisitinho na mesma medida e, o tempo inteiro, eu fiquei com uma sensação estranha em relação a ele. O filme é beeeeeem bacana, mas acho que não vai agradar todo mundo porque quem gosta de tudo "preto no branco", bem explicadinho, vai se sentir enganado. Eu gostei. Bastante. E recomendo.

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