• hikafigueiredo

"Falling", de Viggo Mortensen, 2020

Filme do dia (228/2021) - "Falling", de Viggo Mortensen, 2020 - Após dar sérios sinais de senilidade, o idoso Willis (Lance Henriksen), um rude e preconceituoso fazendeiro, vai passar uma temporada na casa de John (Viggo Mortensen) - seu filho gay - e o marido deste. A proximidade de pai e filho reacenderá velhas e esquecidas memórias em ambos.





Esta delicada e tocante obra discorre sobre relações familiares, antigas mágoas e dores advindas dessas, afetos perdidos e perdão. A história mostra diferentes momentos das vidas dos personagens Willis e John, e a relação quase traumática entre pai e filho - o primeiro, rude, autoritário, agressivo, homofóbico, racista e machista, e o segundo, afetuoso, conciliador e sensível. Willis, já em franca demência senil, testará ao extremo o equilíbrio de John que, mesmo diante das ofensas e grosserias do pai, continua tratando-o com paciência e afeto. Viggo Mortensen, além de atuar no filme, também é responsável pelos roteiro e direção - e devo dizer que não decepcionou em nenhuma das funções. A narrativa é completamente não-linear e mescla, de forma bem encadeada, infância, juventude e vida adulta de John em sua relação com o pai. O ritmo é moderado e constante. A atmosfera é de melancolia e angústia, as lembranças insistindo em se fazerem presentes. A obra tem uma beleza plástica intensa, uma fotografia delicada, que brinca com os planos detalhes, trazendo cenas que são extremamente poéticas. A trilha sonora - também assinada por Viggo Mortensen - é delicada e compõe muito bem com as imagens. No elenco, Lance Henriksen está ótimo como o violento Willis - o personagem consegue despertar os mais diferentes sentimentos no espectador, de raiva e indignação a comiseração. Viggo Mortensen interpreta John, um personagem forte, irredutível na decisão de acolher o pai naquele momento difícil, apesar das dificuldades que o idoso impõe. Sverrir Gudnason interpreta Willis quando jovem, bastante expressivo. Laura Linney faz Sarah, irmã de John, e Terry Chen, Eric, marido dele. Devo dizer que Mortensen foi bastante audacioso na obra, não somente por assumir tantas funções em uma única produção, mas também por ser uma história intrincada relacionada a sentimentos bastante díspares e contraditórios. Ainda assim, acho que Mortensen saiu-se bastante bem em todas as funções que assumiu, entregando um filme com muito mais virtudes que defeitos. Eu gostei e recomendo.

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