• hikafigueiredo

"Filhos do Paraíso", de Majid Majidi, 1997

Filme do dia (341/2020) - "Filhos do Paraíso", de Majid Majidi, 1997 - Ali (Mir Farrokh Hashemian) é um menino de 9 anos que, ao buscar o sapato de sua irmã Zahra (Behare Seddiqi) no sapateiro, acaba por perdê-lo no mercado. Sabendo que seu pai não tem condições de comprar outro par, Ali e Zahra decidem esconder o ocorrido de seus pais e dividir o uso do tênis de Ali.





Com um argumento simples, até mesmo banal, o diretor Majid Majidi consegue criar uma obra que beira a perfeição, tal a sensibilidade com que a história é contada. O filme é incrivelmente poético e discorre, acima de tudo, sobre afeto, solidariedade e empatia. O grau de afeto e cumplicidade entre os dois irmãos, o companheirismo que eles demonstram é a coisa mais linda que eu já vi em um filme. E não só entre eles. As duas crianças têm tamanha empatia pelo próximo que, ao descobrirem o paradeiro dos sapatinhos sumidos, acabam por não tentar recuperá-lo ao perceberem que ele está na posse de um menininha ainda mais humilde que eles - na cena, ao avistarem a garotinha com seu pai cego, eles apenas se entreolham e, sem dizer palavra, conformam-se com a situação por ambos se compadecerem daquela família. E o afeto que um demonstra pelo outro é algo tão doce que eu por pouco não fui às lágrimas. O mais incrível é constatar que é uma história simples, sem nenhuma pirotecnia que qualquer espécie e, ainda assim, emocionante. A narrativa é linear, a linguagem é bastante simples e convencional, o ritmo é lento, sem ser enfadonho, e a atmosfera é levemente tensa, uma vez que as crianças não podem deixar que seus pais saibam do problema. A fotografia é bastante sóbria, as cores são pouco saturadas e temos a predominância de azuis, cinzas, pretos e brancos (poucas são as cores chamativas). Em compensação temos inúmeros travellings acompanhando as crianças que correm pelas ruas da cidade, de lá para cá, ´para trocarem seus sapatos rapidamente e irem para suas escolas. O filme traz pouquíssimas pontuações musicais, quase não há trilha sonora. Quanto às interpretações, o que são aquelas duas crianças??? Mir Farrokh Hashemian, que interpreta Ali, é incrivelmente expressivo e chora copiosamente em várias ocasiões; da mesma maneira, Behare Seddiqi, que interpreta Zahra, é maravilhosa em sua atuação, uma verdadeira bonequinha (e devia ser muito pequenininha no filme, se tinha 7 anos era muito!). O filme concorreu ao Oscar de Filme Estrangeiro em 1999 e devia ter ganhado, perdendo para (argh!) "A Vida é Bela" (inacreditável). O filme é maravilhoso, muito sensível, muito docinho, eu me apaixonei por ele!!! Recomendo com convicção!!!!

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