• hikafigueiredo

"Luta por Justiça", de Destin Cretton, 2019

Filme do dia (339/2020) - "Luta por Justiça", de Destin Cretton, 2019 - Bryan Stevenson (Michael B. Jordan), um jovem advogado negro recém-formado em Harvard, abdica de trabalhar em escritórios renomados para mudar-se para o Alabama e advogar para prisioneiros sentenciados com a morte e aguardando a execução de sua pena sem assistência jurídica, oportunidade em que se depara com o caso de Walter McMillian (Jamie Foxx) e constata que seu julgamento fora marcado por farsas e erros. Decidido a comprovar a inocência do detento, passa a investigar as circunstâncias de sua prisão.





Respire fundo. Não uma ou duas vezes. Respire fundo várias vezes antes de sentar para assistir a essa obra. Porque você vai precisar, se for uma pessoa que preza pela justiça e pelo o que é certo. Este é daqueles filmes que a gente se rói de indignação e ódio, nos moldes de "Em Nome do Pai" (1993) ou "Philomena" (2013), e precisa parar para respirar para não ter um treco. Baseada em fatos reais, a obra escancara o injusto e surreal sistema de justiça norte-americano, bem como uma sociedade mergulhada no racismo estrutural, na corrupção e nos mais torpes conceitos de superioridade racial possíveis. Através do filme, tomamos contato com uma realidade em que um indivíduo já nasce culpado tão somente por conter um pouco mais de melanina em sua pele - isso lembra algum outro país? O que vocês acham? No entanto, ainda que o sistema seja frequentemente injusto, o caso de Walter McMillian excede qualquer nível de injustiça e o que o filme mostra parece história saída de um livro de Kafka, tal o tanto de absurdos, que vão de dezenas de depoimentos ignorados, coação policial e ocultação de provas, tudo com a conivência da "justiça". Não vou entrar em mais detalhes para não destampar a dar spoiler, mas prepare-se para desistir da Humanidade. Uma crítica: por mais que as intenções do filme sejam as melhores, sempre surge algum ponto equivocado que, de certo modo, reitera aquilo mesmo que está sendo criticado e, aqui, no caso, é a presença de um policial branco que inicia como o típico "brucutu", mas que, lá pelas tantas, percebe a injustiça que cerca a questão e se torna mais "maleável". Para quê mesmo a presença deste personagem na história??? Porque para valer precisa ter uma "chancela" de um homem branco , o típico "gente de bem"???? Completamente desprezível e dispensável a presença deste personagem que não chega a ser nem secundário... (que feio diretor, você podia passar sem essa...). A narrativa é linear, bem convencional, sem grandes arroubos de criatividade - filme hollywoodiano padrão. O ritmo está mais para lento e constante e a atmosfera é sufocante e angustiante. O que ganhou ainda mais a minha simpatia foi a presença de Jamie Foxx, um tremendo ator, e, claro, do lindinho Michael B. Jordan, que além de ser um ótimo ator, é bonito que só. Ambos estão bem em seus papéis, mas admito que Jamie Foxx está um passo à frente de Jordan nesse filme. No elenco, ainda, Brie Larson, em um papel de pouco destaque. O filme é importante para mostrar o quanto esse mundo é injusto e que temos muito a caminhar para sermos uma sociedade igualitária e ética. Vale como exemplo de luta contra o racismo estrutural e, por isso, recomendo.

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