• hikafigueiredo

"O Albergue", de Eli Roth, 2005

Filme do dia (394/2020) - "O Albergue", de Eli Roth, 2005 - Os amigos norte-americanos Paxton (Jay Hernandez) e Josh (Derek Richardson) viajam pela Europa, levando consigo apenas suas mochilas. Em Amsterdã, conhecem o islandês Oli (Eythor Gudjonsson), com quem fazem amizade. Após uma balada, recebem a informação acerca das belas e liberais mulheres de Bratislava, na Eslováquia, e resolvem conhecê-las, rumando para um albergue indicado por um desconhecido.





O meu normal é detestar filmes "gore" (ou "splatters"), regados a muito sangue, violência e mutilações. Acho a representação gráfica envolvendo esse assuntos aflitiva e desnecessária. Mas, como mencionei recentemente, toda regra tem exceção e, no caso, essa vem na forma de duas obras cinematográficas, quais sejam os ótimos "Audição" (1999) e este aqui, "O Albergue". Acho a ideia desenvolvida pelo filme - homens que pagariam fortunas para poderem colocar em prática seus instintos mais cruéis, perversos e sádicos, torturando, mutilando e matando jovens vítimas sequestradas em viagens "mochileiras" -, além de assustadora, bastante convincente, já que sabemos que muito dinheiro, com frequência, vem desacompanhado de qualquer empatia pelo próximo. Por mais terrível que seja para uma pessoa com a humanidade e empatia em dia, a ideia é tão verossímil que eu tive amigos que, em viagem pelos cantões da Europa, não conseguiram dormir a noite inteira lembrando do filme (e aguardando pelo momento em que alguém invadiria seus quartos e os sequestrariam). Assim, não consigo imaginar mote mais assustador que esse para um filme de terror. Mas, claro, tenho algumas críticas a fazer, ambas ligadas ao ego inflado dos norte-americanos: o primeiro relacionado à localização de tal agremiação de lunáticos: o leste europeu. Lóóóóógico que os norte-americanos tinham de retratar o leste europeu como um local atrasado, perturbado e cheio de pessoas doentes; o segundo, relacionado a uma breve passagem da história, que revela que matar norte-americanos seria mais caro que matar pessoas de outras nacionalidades - evidente, afinal eles são muito melhores que qualquer outro povo (contém ironia). A narrativa é linear, de ritmo muito intenso e atmosfera extremamente tensa, algo muito próximo de um pesadelo. Os efeitos especiais são excelentes e a ambientação do local específico das torturas é profundamente claustrofóbico e perturbador. Confesso que achei o desfecho meio catártico (olha aí meu traço psicopata... kkkkkk). As atuações não são dignas de nota - afinal, não é uma obra que necessite de muitas nuances de interpretação e se você consegue fazer cara de pânico e urrar, já cumpre o necessário. Evidente que não é filme para qualquer público e pessoas impressionáveis devem passar ao largo dele, mas é um filme de terror bem razoável. Eu gostei, mas deixo para cada um escolher se vai ou não encarar a bucha.

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