• hikafigueiredo

"O Bar Luva Dourada", de Fatih Akin, 2019.

Filme do dia (29/2020) - "O Bar Luva Dourada", de Fatih Akin, 2019. Hamburgo, 1970. Fritz Honka (Jonas Dassler) é um homem alcoólatra, com disfunção erétil e fracassado em todos os departamentos de sua vida. Sua frustração transforma-se em violência e Honka passa a assassinar mulheres que conhece no Bar Luva Dourada, um antro repleto de pessoas à margem da sociedade.





Asqueroso. É a melhor definição para esse filme. Não que a obra seja ruim - nada, ela é ótima! -, o universo que ela retrata que é o limite do asqueroso. O filme passeia, durante seus 115 minutos de duração, por ambientes decrépitos, imundos e decadentes. As pessoas que vagam pela história são igualmente alquebradas - são homens e mulheres alcoólatras, prostitutas idosas, pessoas que trazem nas feições todo o fracasso de suas existências, a total ausência de perspectiva em suas vidas. Suas aparências destruídas, a evidente falta de asseio, tudo contribui para a atmosfera abjeta que inunda a obra. Ainda bem que não é possível sentir o cheiro do filme, isso seria realmente repugnante. As cenas violentas, em si, não são um problema - o filme não tem nada de explícito, nada de "gore". A questão está nos detalhes... nos banheiros encrustados de sujeira, nos cinzeiros cheios de bitucas de cigarro, no bar imundo, nas pessoas que, evidentemente, não vêem banho há semanas (meses, talvez?) - olha... dá um nojo assistir a esse filme... Apesar desse ranço todo, o filme é ótimo, ele consegue transmitir a decadência do submundo de Hamburgo, a decadência daquelas pessoas, a maldade intrínseca do protagonista. Há uma solidão pesada na história, a solidão daquelas pessoas, daquela população que restou dos escombros da Segunda Guerra e que jamais se reergueu. Baseada em uma caso real - nos créditos há as fotos dos lugares reais onde tudo aconteceu e, acredite, foi tudo muito bem reproduzido -, a história acompanha alguns anos da vida de Fritz Honka, um serial killer que vagava por Hamburgo e assassinou pelo menos quatro velhas prostitutas, escondendo os corpos despedaçados em seu próprio apartamento. O ritmo é meio lento, tudo acontece em tempo linear e cronológico e não há qualquer lição de moral embutida na narrativa de um "naturalismo" raro. A direção é bastante eficiente e demonstra, mais uma vez, o talento do diretor Fatih Akin, dos ótimos "Do Outro Lado" (2007), "Soul Kitchen" (2009) e "Em Pedaços" (2017). O ator que interpreta Honka, o jovem Jonas Dassler, tem o mérito de ter se transformado num sujeito horrendo por todos os ângulos (o ator, na verdade, é lindo!), mas não gostei muito da forma como ele andava, achei exagerado, não me convenceu. Por outro lado, quando parado, a interpretação de Dassler está ótima, bem convincente. Eu curti o filme, apesar do nojo que ele me despertou. Recomendo para quem tem estômago forte.

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