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  • hikafigueiredo

"O Estranho que Nós Amamos", de Sofia Coppola, 2017

Filme do dia (255/2020) - "O Estranho que Nós Amamos", de Sofia Coppola, 2017 - Durante a Guerra Civil norte-americana, John (Collin Farrell), um soldado do exército da União, é encontrado ferido em terras do sul por uma estudante de um internato para moças. Ela, penalizada, leva-o para a escola, onde ele é recebido com suspeita por Martha (Nicole Kidman), a proprietária do colégio. Ela concorda que ele permaneça no local enquanto se restabelece e ele passa a seduzir as mulheres do internato.





Sou franca crítica do trabalho da diretora Sofia Coppola - para mim ela é um embuste e da filmografia dela só gosto de "Encontros e Desencontros" (2003). Assisti à obra por pura teimosia e, talvez por não esperar nada do filme, acabei gostando do resultado. Não assisti ao original, por isso não tenho condições de fazer comparações, mas, apesar de ter gostado, consigo perceber questões que a mão pesada da diretora não conseguiu resolver. A principal delas - não há sedução alguma na obra. A história me passa uma ideia de um soldado sedutor, que realmente envolvesse as meninas e mulheres da casa, uma mistura de encanto com malícia. Eu imaginaria um John maldosamente sedutor, com muitos interesses escusos naquelas mulheres. Mas o filme não traz isso. Começa que, na obra, Collin Farrell tem o apelo de um maço de acelga - ele não é sedutor, ele não é atraente e ele não tem "it" (fazendo um aparte: ele tem tudo isso e mais um pouco no filme "Miss Julie", de Liv Ullman, 2014, para mostrar que o problema não é ele e sim a direção de atores). E, para completar, John não precisa seduzir ninguém, porque as moças e mulheres se jogam sobre ele se uma maneira que deu até vergonha alheia. Eu até concordo que adolescentes púberes, repletas de hormônios, provavelmente se lançariam daquele jeito sobre qualquer rapaz minimamente atraente que chegasse ao local, mas as mulheres adultas se alvoroçarem daquela forma pelo moçoilo sem graça é no mínimo ridículo. Em outras palavras, falta sutileza no filme de Sofia Coppola, ele não tem delicadeza, ele é pesado, toscão, sabe? Mas a história é boa e visualmente ele é bem bonito, então acabei me envolvendo e curtindo a obra, mesmo percebendo seus defeitos. A fotografia e a direção de arte são incríveis - gostei muito das cenas noturnas, com a iluminação das velas, ficou muito bem feito e convincente. Acho que o que mais me pegou foi, como eu já disse, a questão das interpretações sem qualquer sutileza. Quem se sai melhor é a veterana Nicole Kidman que consegue brincar um pouco com a questão do ceder/não ceder aos encantos do soldado. Kirsten Dunst não convence como a professora Edwina e age como uma adolescente; Elle Fanning está um pouco melhor como Alícia, consigo enxergá-la como uma jovenzinha atrevida e oferecida. Collin Farrell melhora depois do incidente (sem spoilers), mas no começo ele está péssimo. Desconfio que o original seja infinitamente superior, até porque traz Clint Eastwood como John e sabemos como ele tem uma sedução natural que nem uma eventual má direção seguraria, mas isso são só conjecturas. No geral, o filme é okay, dá para assisti-lo de boas se o espectador não esperar demais. Recomendo com ressalvas (e quero ver o original).

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