• hikafigueiredo

"O Outro Lado do Paraíso", de André Ristum, 2014

Filme do dia (22/2017) - "O Outro Lado do Paraíso", de André Ristum, 2014 - Brasil, 1963. No interior de Minas Gerais, Antônio (Eduardo Moscovis) sonha com o paraíso, a que nomeia "Evilah". Em busca deste local paradisíaco, Antônio migra, com a esposa e os três filhos, dentre os quais Fernando (Davi Galdeano), para uma cidade-satélite de Brasília, onde conhecerá os movimentos sindicais e os ideais de justiça e igualdade social.





A narrativa, baseada em uma história real, é conduzida pelo olhar de Fernando, então com 12 anos, e mistura, com certo equilíbrio, fatos históricos, questões políticas e vivências pessoais do menino. É interessante a forma como a vida de Fernando - a paixão pelos livros, o gosto pelo saber, a ocorrência do primeiro amor de adolescência - é pontuada pelos acontecimentos políticos da época, com a utilização de trechos de noticiários de rádio, televisão e jornais reais de então. O roteiro é bem conduzido e diria que o único pecado da obra é que a questão política é sumariamente varrida ao fim da história (mas entendo que, considerando o momento - período da ditadura militar - Antônio, homem simples, mas de ideais progressistas, não deve ter tido muita alternativa além de "enfiar a viola no saco" e guardar para si seus princípios "esquerdistas"). Dentre os méritos do filme, um roteiro interessante, a direção hábil, a fotografia de qualidade (realizada pelo competente Hélcio "Alemão" Nagamine, que eu conheci nos tempos da ECA), a ótima atuação de Eduardo Moscovis e uma trilha sonora excepcionalmente boa (com a participação de Milton Nascimento). Destaque para a cena icônica de Nando entrando na Esplanada dos Ministérios, ainda em construção, ao som do instrumental de "Clube da Esquina 2" (fiquei arrepiada). No elenco, Davi Galdeano não faz feio, Maju Souza, que interpreta Iara, mostra que tem potencial e Camila Márdila (de "A Que Horas Ela Volta"), como Sueli, evidencia o talento. Eu gostei bastante do filme e acho que merecia mais reconhecimento - pode não ser uma obra de arte, mas é bom, bem feito e discorre sobre um tema importante. Recomendo.

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