• hikafigueiredo

"O Som do Silêncio", de Darius Marder, 2019

Filme do dia (125/2021) - "O Som do Silêncio", de Darius Marder, 2019 - Ruben Stone (Riz Ahmed) é um baterista de heavy metal que está, rapidamente, perdendo sua audição. A situação torna-se ainda mais dramática por ele temer a reação de sua namorada Lou (Olivia Cooke), com quem tem uma ascendente banda de metal.





Nesse delicado filme sobre autoconhecimento, aceitação e mudança de paradigmas, temos o drama pessoal do personagem Ruben, um músico que está perdendo a audição com enorme velocidade. Isto se torna particularmente trágico considerando que, além de sua carreira como baterista em ascensão, ele mantém um relacionamento amoroso com a vocalista da banda e teme a reação dela à sua inevitável surdez. A obra estabelece uma relação direta entre o ruído sonoro exterior e o "ruído" interior - Ruben está tão preocupado em encontrar uma forma de restabelecer sua audição, que não consegue parar para "se escutar", perceber suas necessidades, suas alternativas e escolher, conscientemente, os caminhos a percorrer, agindo, ao contrário, impulsivamente. Ruben também tem dificuldade em lidar com sua revolta e frustração frente à sua nova condição, sem perceber que isso apenas o afasta de uma possível solução para seu futuro. A narrativa é linear, em ritmo moderado. A atmosfera é de angústia e extrema ansiedade - a agitação emocional de Ruben afeta diretamente o espectador. A obra é mais profunda e filosófica do que pode parecer inicialmente e infinitamente mais sensorial. Destaque absoluto para a cena final, tocante e reveladora. Destaque, também, para a edição de som do filme que busca conduzir o espectador através desse novo mundo sonoro e/ou silencioso do personagem (a obra faz com que o público "ouça" como Ruben, com sons abafados, distorcidos ou simplesmente sem som algum, tal qual o personagem). Gostei bastante da interpretação de Riz Ahmed - seu Ruben adentra em uma jornada interior, tendo de passar da revolta e negação para a aceitação e à adaptação à sua nova condição e o ator faz essa passagem bastante bem, evidenciando todos os conflitos pelo qual o personagem passa. Olivia Cooke interpreta a sofrida e conflituosa Lou, muito bem no papel (detalhe para os braços da personagem no começo do filme). No elenco, ainda, o querido Mathieu Almaric como Richard, pai de Lou. Gostei demais do filme. Recomendo.

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