• hikafigueiredo

"Pânico no Ano Zero", de Ray Milland, 1962

Filme do dia (193/2021)- "Pânico no Ano Zero", de Ray Milland, 1962 - A família Baldwin sai para uma viagem de fim de semana. Na estrada, eles percebem um forte clarão e constatam que Los Angeles, sua cidade, acaba de sofrer um ataque nuclear. Desorientados, eles resolvem seguir para um destino nas montanhas, cientes de que o caos se instalará, revelando o pior do ser humano.





No auge da Guerra Fria, Hollywood aproveitou a paranoia nuclear e produziu dezenas de filmes sobre este tema e outros conexos. Aqui , o cerne da questão fica por conta do instinto de sobrevivência falando mais alto que qualquer senso de coletividade ou civilidade - diante do ataque nuclear, o pânico e o caos se instalam e os indivíduos passam a agir de forma a garantir unicamente a sua sobrevivência e a dos seus, nem que para isso precisem atropelar qualquer lei ou ordem. Intuindo que a brutalidade passará a ser a regra, os Baldwin buscam refúgio em um local praticamente deserto em meio às montanhas, e criam regras de conduta para o caso de algum ataque externo. É interessante como o filme joga com a dicotomia entre a civilidade como se conhecia e a busca pela sobrevivência: a esposa Ann, mais emotiva, desespera-se por se apegar às normas e leis "antigas", enquanto o marido Harry, mais racional, rapidamente entende que, para garantir algum futuro, terão de se adaptar a essa nova realidade e vivenciar, ao menor por um tempo, a "lei da selva". A narrativa é linear, em ritmo moderado, mas crescente. A atmosfera, hoje, é de apreensão, mas imagino que, nos idos de 1962, diante da paranoia instalada pela tensão EUA-URSS, o filme deveria trazer uma angústia quase insuportável. Talvez por isso mesmo, para aliviar a inquietação excessiva, a escolha de trilha sonora tenha recaído sobre uma sonoridade mais amena, mais leve, o que, para mim, soou completamente estranho e equivocado. A fotografia P&B é suave e não intervém muito na formação de atmosfera. O elenco é estrelado: Ray Milland, além de assinar a direção, também interpreta o pai da família, um homem determinado que, embora cheio de boas intenções, rapidamente decide que esquecer o coletivo é a única maneira de se manterem em segurança; Jean Hagen - mais conhecida por sua personagem Lina Lamont em "Cantando na Chuva" (1952) - interpreta a mãe da família, indignada com a nova imagem de seu marido, antes um homem afável e correto, agora uma pessoa disposta a matar se for necessário; Frankie Avalon interpreta o filho Rick; e Mary Mitchel faz a filha Karen. O filme é bem bacana e me agradou bastante E fiquei muito bem impressionada com a direção segura de Ray Milland. Vale a pena e recomendo.

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