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  • hikafigueiredo

“Possuídos”, de Willian Friedkin, 2006

Filme do dia (165/2023) – “Possuídos”, de Willian Friedkin, 2006 – Agnes (Ashley Judd) é uma garçonete que vive em um hotel de beira de estrada, escondida de seu ex-marido violento. Ela conhece, através de sua amiga R. C. (Lynn Collins), o ex-soldado Peter Evans (Michael Shannon), estabelecendo um conturbado relacionamento com ele.




 

Do mesmo diretor do excelente “O Exorcista” (1973), a obra se encaixa no gênero suspense, ainda que com ecos de terror psicológico. A história foca na personagem Agnes, uma jovem mulher traumatizada pela violência doméstica e por questões envolvendo a maternidade (sem spoilers). Escondida em um hotel no meio do nada, Agnes descobre que seu ex-marido foi libertado da prisão recentemente e teme seu retorno. Neste ínterim, conhece Peter, um ex-soldado fortemente abalado por experiências na guerra e com ele passa a se relacionar. O relacionamento rapidamente envereda para uma dependência emocional mútua e o casal passa a sofrer terríveis alucinações envolvendo insetos. O filme, tenso, vai mostrar a rápida degradação da saúde mental dos personagens, que entram numa espiral de medo e paranoia e criam as mais bizarras teorias conspiratórias para justificar seus receios infundados. A obra, inclusive, tenta, com sucesso, trazer para o espectador essa confusão mental em que Agnes e Peter vivem, resultando em uma história que beira o pesadelo. A narrativa é linear, em ritmo intenso e crescente. A atmosfera é angustiante, claustrofóbica e profundamente caótica, um verdadeiro reflexo do psicológico fragilizado do casal de personagens – achei interessante como o diretor constrói a relação simbiótica de Agnes e Peter, em que um reforça a paranoia do outro e, juntos, fazem uma vertiginosa descida ao inferno. Curti, também, como todo o entorno dos personagens vai se degradando, acompanhando a deterioração psicológica deles – a residência de Agnes, que originalmente já não era muito organizada, vai se tornando mais e mais bagunçada, um reflexo da ruína interior do casal. Nesse sentido, todos os elementos técnicos – desenho de produção, fotografia, edição de som – confluem para este caos vivenciado pelos protagonistas, o que causa certa agonia no espectador. Merece destaque o trabalho cuidadoso dos intérpretes Ashley Judd e Michael Shannon, ambos muito competentes – não sei dizer qual dos dois personagens se mostra mais “perdido” e incoerente, muito embora criem a mais complexas teorias para justificar suas ações e reações. O filme é bem envolvente e me fez sentir um pouco do que é um surto psicótico apoiado em paranoia – wow, difícil!!!! Foi uma experiência bem marcante, gostei e recomendo para quem gosta de filmes “sensoriais”.

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