• hikafigueiredo

"Roda Gigante", de Woody Allen, 2017

Filme do dia (104/2018) - "Roda Gigante", de Woody Allen, 2017 - Conney Island, década de 1950. Nas dependências de um parque de diversões vivem Ginny (Kate Winslet), uma ex-atriz, agora garçonete, seu marido Humpty (James Belushi), o operador do carrossel e Rickie, filho do primeiro casamento de Ginny. Vivendo uma existência infeliz e modorrenta, Ginny se encanta com Mickey (Justin Timberlake), o salva-vidas local, começando um caso com ele. A chegada de Carolina (Juno Temple), filha de Humpty, irá complicar os planos de Ginny.





Woody Allen sempre (ou quase sempre) trabalhou, em seus filmes, as questões internas dos personagens e sua relação com os outros. Nas obras do diretor são comuns os retratos de crises, traumas, neuroses dos personagens e como tudo isso reverbera no outro - e neste filme isso não é diferente. A história se concentra na personagem Ginny, uma mulher infeliz, ressentida e arrependida, que acredita ter sido ela mesma a única responsável pelas falhas que teve em sua vida. O "movimento" de Ginny é, neste momento, descendente - tudo é ruim, negativo, pesado. Mas Ginny conhecerá Mickey, por quem se apaixonará - e, subitamente, seu "movimento" será alterado e tudo parecerá radiante, feliz, positivo. A obra se concentra, basicamente, na questão dos altos e baixos de Ginny (e, também dos demais personagens), que acontecem de maneira alternada, cíclica, exatamente como o funcionamento de uma roda gigante. O filme é bem legal, rico em conteúdo, mas, certamente, dois elementos foram decisivos na qualidade da obra: a fotografia excepcional de Vittorio Storaro e a interpretação de Kate Winslet. Quanto à fotografia, Storaro "brinca" com cores e luzes, mudando os tons de acordo com o humor dos personagens (inclusive com mudanças na própria cena). Assim, apesar da maior parte do filme ter uma fotografia radiante, com tons amarelo-dourados e cores brilhantes, há cenas onde a mudança emocional dos personagens exige uma "marcação" física - o que é feito com a introdução de tons frios, azulados ou acinzentados, na cena - e tudo isso é feito com maestria por Storaro. Já quanto à interpretação de Kate Winslet, ela está magistral. A atriz consegue imprimir um sem número de emoções em sua conflituosa personagem - desde alegria extrema e paixão avassaladora até mágoa, desdém e fúria. Ela está FANTÁSTICA, merecia uma indicação ao Oscar. Não devemos, também, desprezar a interpretação de James Belushi que conseguiu dar uma profundidade considerável no igualmente conflituoso Humpty. Como destaque negativo, uma qualidade de som meio esquista (vários foram os momentos em que senti o som abafado, baixo... não sei se Allen quis fazer com a edição de som o que fez com a fotografia, com as mudanças relacionadas aos personagens, mas se essa foi a ideia, para mim não funcionou). Por outro lado, como era de se esperar, a trilha sonora da obra é uma delicinha, com várias musiquinhas da década de 50, muito gostosa. O filme é ótimo, gostei bastante.

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