• hikafigueiredo

"Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia", de Sam Peckinpah, 1974

Filme do dia (145/2020) - "Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia", de Sam Peckinpah, 1974 - A filha de um grande latifundiário mexicano engravida de um homem de nome Alfredo Garcia. O pai, furioso, promete um milhão de dólares a quem trouxer a cabeça de Garcia, dando início a uma sangrenta caçada.





Bom... no quarto filme de Sam Peckinpah a que assisto - terceiro da maratona - já posso afirmar com certa segurança: não gosto do estilo do diretor. Não que não veja algumas virtudes em sua filmografia - é bem dirigida e tals, alguns roteiros tem nuances interessantes e os filmes têm consistência. No entanto, a carga testosterona das obras não me apetece e o que vem a reboque nos filmes muito menos. Para mim, esse excesso de "hormônio masculino" nos filmes - ao menos nos que eu vi até agora - tendem a deixá-los superficiais - é a porradaria, são as perseguições, as trocas de tiro, tudo por si só, não há uma crítica, não há um algo além, é a violência pura e simples: ah, uau. que legal. Além disso, constatei que as mulheres, nas obras do diretor, são mega-ultra-super objetificadas, as raras personagens femininas são rasas, sem qualquer profundidade, tratadas sempre com violência e não há espaço para o trabalho das atrizes em sua filmografia, justamente por quase não haver a presença feminina em seus filmes. Com esse perfil, difícil me agradar. Okay... falta assistir a "Meu Ódio será sua Herança" (1969), que nem tem no box que eu tenho, mas, até aqui, o diretor realmente não fez a minha cabeça. Bom... tratando do filme "Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia", o filme foca a sua atenção no personagem Benny (Warren Oates), para quem é encomendada a cabeça de Garcia em troca de míseros dez mil dólares. Disto segue-se a perseguição implacável do personagem e de sua amante Elita (Isela Vega) por capangas vindos de todas as partes. Eu assisti ao filme com atenção, acompanhei a narrativa... mas, não teve jeito, não me envolvi emocionalmente com a história em momento algum. Cansei daquela dobradinha perseguição/troca de tiros e não consegui ir além do superficial (se é que tem algo além). O ritmo é bem acelerado, há boas cenas de ação, e o tempo é linear e cronológico. O personagem central é simpático, mas não consegui ver grandes nuances nele. Gostei das locações, caracterizaram bem o interior do México, suas estradas poeirentas, seu povo mais humilde. A montagem é okay, em especial nas cenas de ação, bem auxiliada por uma fotografia voltada a pegar "os melhores ângulos" da porradaria comendo solta. Não sei o que dizer da interpretação de Warren Oates - como achei o personagem raso, não vi como o ator poderia aprofundar mais no papel, então nem consigo avaliar seu trabalho. O mesmo vale para Isela Vega. Quem gosta de filme de ação, com certeza vai curtir o filme. Como definitivamente não é o meu caso - de todos os gêneros, ação é o que eu menos me empolgo - achei a obra dispensável e acho que não veria de novo.

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