• hikafigueiredo

"Tristana, Uma Paixão Mórbida", de Luis Buñuel, 1970

Filme do dia (36/2019) - "Tristana, Uma Paixão Mórbida", de Luis Buñuel, 1970 - Após a morte de sua mãe, a jovem e ingênua Tristana (Catherine Deneuve) é acolhida por seu tio Don Lope (Fernando Rey), que passa a ser seu tutor. Não demora, no entanto, para que Don Lope revele outros interesses pela jovem, tornando-se seu amante.





O filme discorre sobre dominação/submissão e sobre inversão de papeis - ao longo do tempo, pontuado sutilmente com maestria por Buñuel, Tristana e Don Lope invertem seus papeis, o dominador tornando-se dominado e vice-versa. Se num primeiro momento Don Lope desperta repulsa e raiva no espectador pela forma como relaciona-se com a virginal Tristana, aproveitando-se de sua ascendência sobre a jovem, anos depois, já idoso, fragilizado, passa a despertar comiseração. De maneira contrária, se Tristana primeiro desperta compaixão e um desejo de proteção, ao final, já amarga e vingativa, causa sentimento oposto, quase uma raiva. A mudança de personalidade dos personagens - em especial de Tristana, que de jovem inocente passa a uma mulher decidida e, mais tarde, a uma mulher amargurada, dominadora e, de certa forma, até cruel, é impecável, posto ocorrer de maneira bem gradual e sutil. Apesar de excelentemente dirigido, não é dos filmes mais fáceis de acompanhar, em especial por causar sentimentos tão contraditórios dirigidos aos personagens ao longo da narrativa. Destaque merece, acima de tudo, a eterna deusa Catherine Deneuve que consegue interpretar tão bem a jovem inocente de olhos lânguidos e assustados do início, quanto a mulher de meia-idade de olhar frio do fim da obra. Filme interessante com direção certeira. Recomendo.

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