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  • hikafigueiredo

"Um Dia Muito Claro", de Hlynur Pálmason, 2019

Filme do dia (66/2021) - "Um Dia Muito Claro", de Hlynur Pálmason, 2019 - Ingimundur (Ingvar Eggert Sigurdsson) é um policial afastado do trabalho por conta da recente morte de sua esposa em um acidente. Ele está às voltas com a reforma de sua casa para acolher a família de sua filha e cuidando de sua neta Salka (Ída Mekkin Hlynsdóttir), de oito anos. Uma descoberta vai abalar o emocional do viúvo e fazê-lo ter condutas que normalmente não teria.





Este é um filme sobre o luto, sobre memórias, sobre descobertas e sobre um movimento de catarse. O protagonista Ingimundur tem clara dificuldade em vivenciar seu luto pela esposa recém-falecida. Ele se cala e não extravasa sua dor. Até que ele descobre um fato sobre sua esposa e sua dor transforma-se em revolta e fúria, e será através de um arroubo catártico que ele irá "trabalhar" seu luto. A narrativa é linear - e a obra encontra uma maneira bastante incisiva de mostrar a passagem do tempo (através de muitas imagens da casa em diferentes momentos ao longo de muitas estações dos anos). O ritmo é muito vagaroso, mas crescente, com uma verdadeira "explosão" no clímax. A atmosfera é muito melancólica por conta da situação da recém-morte da esposa, mas, aos poucos, vai se direcionando para um clima mais tenso, para, no final, retomar a mesma melancolia. A obra traz uma fotografia muito clara, em parte por conta da neblina que insiste em encobrir as casa e estradas. Os planos são bastante convencionais - planos abertos e médios, principalmente, mas também há dois planos-sequências bem importantes para a narrativa. A interpretação de Ingvar Eggert Sigurdsson merece elogios, pois ele consegue, no início, transmitir uma angústia muda, uma tensão e uma dor contidas que, lá pelas tantas, serão engolidas pela reação surpreendente do personagem - e essa passagem é muitíssimo bem promovida. A pequena Ída Mekkin Hlynsdóttir também merece destaque, principalmente na cena em que ela defende o avô - a garotinha tem talento e muito potencial. Destaque para o plano-sequência inicial (que me pegou de surpresa) e para as cenas finais: desde a abordagem no carro até o desfecho doloroso, na casa de Ingimundur. Apesar de ter momentos de ação e até certa violência, eu achei a obra bastante sensível no tocante aos estados de espírito do protagonista. Eu gostei e acho que vale a visita.

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