• hikafigueiredo

"120 Batimentos por Minuto", de Robin Campillo, 2017

Filme do dia (209/2018) - "120 Batimentos por Minuto", de Robin Campillo, 2017 - França, década de 90. Nathan (Arnaud Valois) um soronegativo, entra para o grupo Act Up, voltado para a prevenção e o tratamento da AIDS. Nas atividades do grupo, Nathan conhece Sean (Nahuel Pérez Biscayart), um soropositivo, apaixona-se e começa um relacionamento com ele.





Sem negar a importância de "Filadélfia", diria que este é o mais importante e brutal filme sobre a AIDS que já vi. Intercalando cenas das ações do Act Up com outras do relacionamento de Nathan e Sean, a obra choca ao mostrar, ao longo da narrativa, as "baixas" dos membros do grupo. O filme inicia animado, festivo, e mesmo com o falecimento do primeiro ativista, mantém-se assim até a metade, ocasião em que a doença começa a se manifestar em Sean e a atmosfera torna-se cada vez mais pesada. A última meia hora é extremamente angustiante e sofrida, mas o desfecho vem para nos lembrar que a vida e a luta continuam e que não devemos jogar a toalha nunca. Apesar do tema pesado, é reconfortante ver e acompanhar a ação de um grupo combativo como o Act Up, anima um pouco saber que existem ativistas com essa garra lutando pelas mais diversas causas . O ritmo do filme começa frenético, estabiliza um pouco mais lento lá pelo meio da narrativa e retoma o ritmo inicial nos últimos dez minutos. Com um roteiro fortíssimo, o filme demonstra uma boa qualidade técnica, com destaque para a trilha sonora com músicas da época, fotografia e para a direção - as cenas das ações do grupo são muito bem conduzidas, dão vontade de entrar no meio e participar!!! As interpretações são muito marcantes, todos os atores/atrizes que fazem os principais membros da equipe estão fantásticos, mas destacaria o trabalho de Nahuel Pérez Biscayart como Sean - o qual passa por diferentes fases emocionais de acordo com o grau de sua doença e o ator está magnifico em todas elas -, Antoine Reinartz como Thibault - o presidente da Act Up - e Adèle Haenel como Sophie - seu papel tem destaque mediano, mas sua expressão e sua linguagem corporal na última cena me chamaram muito a atenção, achei tudo muito forte, muito intenso. Foi indicado à Palma de Ouro em Cannes, perdendo para "The Square", mas recebeu o Grand Prix. O filme é excelente, foi responsável por um tanto de lágrimas, mas me colocou para cima no final. Eu adorei e recomendo demais.

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