“A Mulher Secreta”, de Barbara Topsoe-Rothenborg, 2026
- hikafigueiredo
- há 11 minutos
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Filme do dia (14/2026) – “A Mulher Secreta”, de Barbara Topsoe-Rothenborg, 2026 – Louise (Natalie Wolfsberg Madueño) vive em uma pequena ilha no litoral da Noruega, na companhia de seu namorado Joaquin (Pal Sverre Valheim Hagen), gerenciando um acolhedor café. Certo dia, um homem surge em seu comércio afirmando que Louise é, na verdade, Helene, e que ele tem informações acerca de sua família. Transtornada, Louise sai a procura de respostas.

Depois de ver esse filme, tive vontade de cantar aquela música – “Fui enganada, fui traída, ele mentiu na minha cara”. Isso porque eu vi que a obra era um drama/thriller nórdico e eu já pensei que viria uma “pedrada”, um filme denso, um suspense envolvente, o tipo de filme que me arrebata – eu, usualmente, amo o cinema nórdico! Mas, antes mesmo de chegar à primeira metade da história, já tinha me convencido de que eu havia caído no conto do vigário. O argumento é interessante – Louise, a gerente de um pequeno café, vive tranquilamente com seu companheiro em uma ilhota no litoral da Noruega. Certo dia ela é abordada por um estranho que lhe afirma que ela é outra pessoa. O que poderia soar absurdo ganha uma roupagem factível, quando descobrimos que Louise sofre de uma grave amnésia há mais de dois anos, desde que aportou àquela ilha a bordo de um navio. Na ocasião, ela estava profundamente lesionada e não se lembrava sequer como havia chegado à embarcação. Logo, no entanto, o que era plausível vai se tornando cada vez mais fantasioso. Louise descobre ser a milionária herdeira de uma empresa de transporte marítimo, possuir uma família na Dinamarca e estar há anos desaparecida. Como uma bola de neve que desce velozmente a encosta de uma montanha nevada, os elementos absurdos e inverossímeis vão se agregando à história, e o que podia ter um desenvolvimento interessante e um desfecho envolvente, vira uma grande, enorme, gigantesca patacoada. A narrativa é furadíssima, principalmente porque os comportamentos de praticamente todos os personagens não têm qualquer lógica. Eu adoraria desfiar todas as incongruências da história, mas isso seria distribuir spoilers e o que já não é bom, iria ficar ainda pior. Para resumir – o filme é um suspense mal ajambrado, cheio de detalhes mal explicados e que exige muita, mas muita boa vontade, para assistir até o final. Outra coisa chata (para mim, ao menos) – o filme aproxima-se muito do cinema mediano de Hollywood e não leva nada da tradição do cinema nórdico, sempre contido, denso, cru. Enfim... um arremedo de um thriller estadunidense, é isso que o filme é. Mesmo formalmente, o filme me decepcionou – algumas cenas no interior da mansão Soderberg dão uma ideia de percepção alterada da realidade da personagem principal, em decorrência dos posicionamentos de câmera estranhos e desalinhados, mas no fim foi só uma “graça” do fotógrafo do filme, não tem qualquer significado na história e nada acrescenta. Também estranhei o uso constante de música incidental, coisa muito incomum no cinema nórdico, normalmente mais “silencioso”. A edição da obra até conseguiu criar alguma atmosfera, mas eu achei tudo tão fantasioso que não me envolvi com a narrativa como esperava. As atuações, por sua vez, mantiveram-se no mediano – não são um desastre, mas estão longe de serem significativas, até porque nenhum personagem tem qualquer profundidade, mantendo-se, sempre, superficiais. É... não tem jeito, o filme não me “ganhou”, em absolutamente qualquer quesito. Quem quiser tirar a prova, está disponível em streaming na Netflix.



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