top of page

“O Menu”, de Mark Mylod, 2022

  • hikafigueiredo
  • 2 de mai.
  • 3 min de leitura

Filme do dia (11/2026) – “O Menu”, de Mark Mylod, 2022 – Em uma ilha afastada, o renomado restaurante Hawthorne serve iguarias refinadas a grupos seletíssimos de comensais. Dentre estes, encontramos o gourmet Tyler (Nicholas Hoult) e sua acompanhante Margot (Anya Taylor-Joy), os quais aportam à ilha para ter a famosa experiência gastronômica proporcionada pelo chef Slowik (Ralph Fiennes). O que os presentes não sabem é que, na ocasião, presenciarão um acontecimento único e irreproduzível.


 

Há tempos estava em busca deste filme, diante de comentários animados e críticas positivas a seu respeito. Finalmente o encontrei na Prime Video e fui vê-lo com muita expectativa... que, obviamente, restou frustrada. O filme se apresenta como uma obra que mescla suspense, terror e humor ácido, com a presença de violência física imoderada e forte apelo psicológico. Não vou negar que, nesse sentido, o filme entrega razoavelmente bem o que se propõe. Não foi nesse aspecto que a proposta me desagradou – sim, porque, confesso, saí um tanto decepcionada do filme. O ponto no qual a obra não me convenceu foi na crítica existente entranhada na história, a qual, em boa parte, permaneceu superficial e esvaziada. Eu me explico.  Há, na narrativa, uma crítica evidente às experiências – no caso, gastronômicas, mas claramente não só a elas - oferecidas à uma elite poderosa e endinheirada incapaz de aproveitá-las e que só as buscam por status e validação social e não por extrair delas real prazer e entendimento. O chef Slowik, percebe a incompreensão e superficialidade de seus clientes e frustra-se verdadeiramente por não ter seu talento reconhecido e por ter seu prazer em criar e servir verdadeiras obras de arte gastronômicas àqueles que só tem dinheiro para acessá-las, mas não sensibilidade para entendê-las e desfrutá-las. Até aí, o filme está bem okay. Mas aí entra um discurso de consciência de classe e reconhecimento de lugar na sociedade – “você está entre os que servem ou entre os que são servidos?” – que, apesar de, válido e coerente, mantêm-se muito, mas muito mesmo, na superfície. O filme tinha tudo para aprofundar essa discussão e fazer uma crítica bem mais contundente ao capitalismo, o qual transforma tudo em produto, e à elite econômica que reverbera as “virtudes” deste modo de produção ao mesmo tempo em que fecha os olhos para todos os problemas e senões que vêm a reboque, mas opta por lançar, aqui e ali, questões rasas sobre o tema, sem evoluir nada além do óbvio. Não sei se vejo mérito em mencionar o desgaste do trabalhador diante de jornadas exaustivas – caso do Chef Slowik, segundo a narrativa – se, no exemplo usado, o trabalhador chega a um patamar de excelência e renome que, talvez, lhe desse oportunidade de escolha: em outras palavras, como equiparar o artista famoso e logicamente muito bem pago com qualquer outro trabalhador mal remunerado em uma escala de trabalho que lhe impede de ter o mínimo de vida decente. Ah, sei lá, fiquei com uma forte sensação de embuste. E não para aí. O desfecho me remeteu à animação “Ratatouille” (2007) – a recuperação do prazer em fazer algo por amor a partir da simplicidade (há ironia) -, com um asqueroso tempero estadunidense: saí o típico prato francês, entra em cena o ultra clichê cheeseburguer (juro que eu preferia morrer a ter minha origem ligada a este “marco” da culinária... pqp).  Talvez me considerem chata, ou mesmo pedante, por minha leitura tão crítica da obra, mas ela não me satisfez – como a personagem Margot, não gostei e me senti enganada pela experiência. Mas, sendo justa, ressalto alguns pontos positivos: a atmosfera de tensão e horror escalonado; o desenho de produção do ambiente, opressivo, que alia sofisticação a uma frieza hospitalar; a apresentação dos pratos oferecidos, irretocável (eu adoro ver filmes sobre gastronomia, pois acho tudo muito lindo rs); e a interpretação do elenco, que traz um Nicholas Hoult impagável como o patético e canalha Tyler; a sempre estranha Anya Taylor-Joy como Margot; o excelente Ralph Fiennes como o vingativo Chef Slowik; e uma maravilhosa Hong Chau como a assustadora maitre do local. Okay, é possível experienciar o filme de maneira positiva se o espectador não ansiar por profundidade..., mas eu quis ir mais a fundo e me frustrei, é isso, sou chata mesmo rs. Para quem quiser conferir o filme e meu nível de rabugice, ele está disponível na Prime Video.

 
 
 

Comentários


bottom of page