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“Marty Supreme”, de Josh Safdie, 2025

  • hikafigueiredo
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

Filme do dia (10/2026) – “Marty Supreme”, de Josh Safdie, 2025 – EUA, 1952. O excepcional jogador de tênis de mesa Marty Mauser (Timothée Chalamet) trabalha na loja de sapatos de seu tio no intuito de juntar dinheiro para participar do Campeonato Britânico de Tênis de Mesa. Ele deseja promover o esporte nos EUA e entende que sua vitória no Campeonato Britânico traria reconhecimento e abriria portas. No entanto, ele é derrotado na final pelo atleta japonês Koto Endo (Koto Kawaguchi). Inconformado, Marty decide que participará do Campeonato Mundial, no Japão, e que derrotará o atleta japonês, custe o que custar.


 

Inspirado na figura real Marty Reisman, um excêntrico atleta do tênis de mesa estadunidense, o filme acompanha a trajetória do personagem Marty Mauser em busca do sucesso no esporte e reconhecimento social. Então... o filme, cheio de hype, reverbera toda aquela filosofia de vida estadunidense que valoriza a busca pelo sucesso, a figura do “self-made man” e a meritocracia – esforce-se e você chegará lá. Cara... que preguiça. Totalmente construído para agradar o público estadunidense e claramente feito para exaltar o homem médio daquele país – pois Marty, muito embora seja um atleta excepcional, é uma pessoa comum, com muitos problemas, severas limitações orçamentárias, ética flexível, caráter levemente duvidoso e uma determinação inquebrantável para atingir seus objetivos – eu tenho a sensação de que o filme foi feito para ganhar o Oscar, pois a Academia adooooooora filmes sobre superação pessoal, exortação do trabalho árduo em prol de um objetivo e de sucesso profissional. Devem existir alguns milhares de filmes estadunidenses com exatamente a mesma narrativa, mudando apenas os panos de fundo. Sinceridade – eu detesto todos, TODOS, os filmes dos EUA que usam dessa falácia de que o estadunidense é superior e merecedor de todas as glórias, e esse filme vai bem por essa linha. Ao menos o personagem não é todo certinho, para ele vale qualquer coisa para atingir sua meta de participar do Campeonato Mundial, o que pode ser considerado um diferencial em relação a outros 5463739264 filmes com a mesma lógica. “Ah, mas a forma de contar a história é diferente!”. Não, não é. Seguindo uma cartilha hollywoodiana onde tudo dá errado até o momento crucial e catártico da vitória, o filme é extremamente previsível. As agruras pelas quais o protagonista passa são bem concatenadas, as entradas e saídas dos mesmos personagens da narrativa são bem orquestradas, mas não deixa de ser mais do mesmo e, repetindo, a gente SABE o desfecho nos primeiros dez minutos de filme! Claro que o filme é super bem-feito, tem um ritmo ágil, situações por vezes inusitadas, mas, para quem tem muita quilometragem de cinema, não é uma obra que instigue NADA! Eu confesso que a obra tem um único mérito – na minha humilde opinião – o personagem é carismático justamente por não ser perfeitinho, por se ferrar demais em diversas situações e por ter uma aura de anti-herói. Esse personagem – justamente por suas nuances – exigia um intérprete à sua altura e aí chegamos em Timothée Chalamet: a verdade é que o ator leva o filme nas costas e, se não fosse ele, acredito que a obra seria bastante esquecível. Chalamet traz graça, charme e profundidade ao protagonista e o fato de o ator ter sido “enfeiado” para interpretar o papel sempre é um “plus” aos olhos dos críticos. Eu ainda prefiro a interpretação do ator em “Me Chame Pelo Seu Nome” (2018), muitíssimo mais sensível, profundo e interessante do que esse filmeco mequetrefe, mas acho gigantesca a chance de ele ganhar o Oscar (2026), desbancando o talento incrível de Ethan Hawke em “Blue Moon” (2025) e o molho do nosso baiano predileto, Wagner Moura, em “O Agente Secreto” (2025) – e insisto que, embora Chalamet esteja ótimo, ainda prefiro o trabalho destes dois concorrentes. No elenco, ainda, Gwyneth Paltrow (insossa como sempre), Fran Drescher, Tyler The Creator, Odessa A’zion, Kevin O’Leary e Abel Ferrara. Thimothée Chalamet foi agraciado com o prêmio de Melhor Ator no Critics’ Choice Awards (2026), tendo sido indicado em diversas categorias para este mesmo prêmio; o ator também foi agraciado com o Globo de Ouro (2026) na mesma categoria; no Oscar (2026), o filme foi indicado em nove categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Ator. Na real, achei... sem graça... mas recomendo para quem gosta de acompanhar o Oscar. Atualmente em cartaz nos cinemas.

 
 
 

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